Presidente voltou a criticar as plataformas de apostas e afirmou que futebol brasileiro precisará buscar outras fontes de receita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende acabar com as plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, no Brasil. A declaração foi feita nesta quarta-feira (23), durante um evento com representantes do setor cultural. Segundo Lula, os clubes de futebol precisarão encontrar novas formas de financiamento caso as empresas de apostas deixem de atuar no país.
Durante o discurso, o presidente afirmou que a decisão não seria uma disputa contra o futebol, mas uma medida que considera necessária diante dos impactos provocados pelas apostas na população.
“Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários. Esta não é uma guerra, é uma decisão”, afirmou.
Lula também relacionou o tema à estrutura empresarial dos clubes brasileiros e citou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como uma alternativa para que as equipes desenvolvam modelos de gestão capazes de reduzir a dependência de receitas provenientes das casas de apostas.
Governo avalia diferentes possibilidades
Apesar da declaração do presidente, ainda existem diferentes alternativas em discussão dentro do governo. Uma das possibilidades analisadas é restringir a publicidade das empresas de apostas, enquanto uma medida mais ampla poderia resultar na proibição das apostas de quota fixa no país.
A definição sobre o alcance da medida ainda envolve questões jurídicas e econômicas. As empresas atualmente autorizadas a operar no mercado regulado pagaram R$ 30 milhões em outorga para obter autorização federal, com validade de cinco anos.
Uma eventual interrupção antecipada das atividades poderia provocar disputas judiciais e questionamentos relacionados aos contratos firmados com o governo.
Outro desafio seria impedir que plataformas não autorizadas continuassem oferecendo serviços aos brasileiros por meio de mecanismos digitais. O governo também avalia os efeitos de uma eventual mudança sobre empresas de publicidade, influenciadores e outros setores que possuem contratos com as bets.
Apostas passaram a ser regulamentadas
O mercado de apostas de quota fixa foi regulamentado no Brasil após mudanças legislativas aprovadas pelo Congresso no fim de 2023. A regulamentação estabeleceu regras para o funcionamento das empresas, incluindo pagamento de outorga e tributação.
O mercado regulado começou a operar em 2025, depois de um período de adaptação. Atualmente, dezenas de empresas possuem autorização para atuar dentro das regras estabelecidas pelo governo federal.
Antes da regulamentação, as apostas esportivas online já eram amplamente utilizadas por brasileiros, inclusive por meio de plataformas sediadas fora do país.
Lula relaciona bets ao endividamento
O presidente tem intensificado as críticas às apostas online nas últimas semanas. Em discursos recentes, afirmou que as plataformas contribuem para o endividamento das famílias e demonstrou preocupação especialmente com a utilização desses serviços por pessoas de baixa renda.
Lula também afirmou que não considera suficiente o argumento de que o governo arrecada impostos com a atividade.
Segundo dados citados por integrantes do governo, estudo elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento aponta que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.
Clubes contestam possível proibição
A possibilidade de restrições mais severas ao setor provocou reação de clubes e entidades ligadas ao futebol brasileiro. Equipes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense, Vasco e Grêmio participaram de uma manifestação conjunta contra uma eventual proibição das apostas.
Os clubes argumentam que os contratos com empresas do setor representam uma fonte relevante de recursos para o futebol brasileiro. A estimativa apresentada pelo setor é de aproximadamente R$ 1 bilhão em impacto relacionado aos patrocínios caso as apostas sejam proibidas. Atualmente, 13 clubes da Série A possuem casas de apostas como patrocinadoras máster.
A discussão, portanto, envolve tanto os possíveis efeitos sociais e econômicos das apostas quanto a dependência financeira criada por parte do futebol brasileiro em relação ao segmento.
Presidente mantém posição
Esta não foi a primeira vez que Lula declarou intenção de restringir ou acabar com as bets. Nos últimos dias, o presidente afirmou em diferentes eventos que considera o setor prejudicial e que pretende avançar com medidas para reduzir sua presença no país.
A forma como a proposta será implementada, porém, ainda depende da definição do governo e dos desdobramentos jurídicos e legislativos. Entre as alternativas avaliadas estão limitações à publicidade e uma eventual proibição mais abrangente das plataformas.
Enquanto o governo avalia os próximos passos, clubes, empresas e representantes do setor de apostas acompanham a discussão diante dos possíveis impactos sobre contratos de patrocínio, arrecadação, publicidade e funcionamento do mercado.








