Presidente questionou classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e citou plano investigado pela Polícia Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (18) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante um evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, Lula afirmou que não concorda com o enquadramento adotado pelo governo de Donald Trump e relacionou o conceito de terrorismo à tentativa de ruptura institucional atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Lula, o episódio envolvendo a tentativa de golpe após as eleições de 2022 deveria ser tratado como terrorismo de Estado. O presidente citou ainda as investigações da Polícia Federal sobre o plano conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que, segundo as apurações, previa ações contra autoridades públicas.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de janeiro. Isso é terrorismo”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente mencionou Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como alvos previstos no plano investigado.
Lula cita plano investigado pela PF
A declaração faz referência ao chamado “Punhal Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Segundo as apurações, o documento foi elaborado pelo general da reserva Mario Fernandes, que ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro.
O plano teria previsto ações contra autoridades, entre elas Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. As investigações sobre a trama golpista foram utilizadas por Lula para estabelecer a comparação feita durante o discurso no Rio de Janeiro.
Críticas à classificação do PCC e do CV
Lula também afirmou que não considera adequada a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo norte-americano.
Apesar disso, o presidente reconheceu que grupos criminosos exercem uma forma de violência e intimidação sobre moradores de áreas periféricas. Ele afirmou que famílias convivem com ameaças, cobrança de valores e controle de atividades em territórios dominados pelo crime organizado.
A classificação das duas facções pelos Estados Unidos ocorreu em maio. Na quarta-feira (16), o governo Trump voltou a pressionar o Brasil sobre o combate ao crime organizado e afirmou que o país teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho. A avaliação foi apresentada em documento enviado pela Casa Branca ao Congresso norte-americano.
Governo federal anuncia ações no Rio
A declaração de Lula ocorreu durante uma agenda voltada à segurança pública no Rio de Janeiro. O presidente acompanhou a apresentação de ações integradas envolvendo os governos federal, estadual e municipal para combater organizações criminosas.
Durante o evento, foram anunciados convênios destinados a enfraquecer a estrutura logística das facções e possibilitar a retomada de territórios sob influência de grupos criminosos.
Lula defendeu maior integração entre as forças de segurança e afirmou que o combate ao crime organizado precisa alcançar também os integrantes que ocupam posições de comando nas organizações.
O presidente também criticou a influência de políticos sobre órgãos públicos relacionados à segurança. Segundo ele, a presença de interesses políticos na administração dessas estruturas dificulta a atuação das instituições.
Governo Trump cobra atuação mais rigorosa
A troca de críticas ocorre em meio ao aumento das cobranças do governo norte-americano sobre a política brasileira de combate ao crime organizado.
Em documento encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, o governo Trump afirmou que o Brasil não estaria adotando medidas suficientes contra o PCC e o Comando Vermelho. O texto também classificou o país como um importante ponto de circulação internacional de cocaína.
O governo brasileiro, por sua vez, tem questionado o enquadramento das facções como organizações terroristas e defendido que o combate ao crime organizado seja realizado pelas instituições brasileiras, com cooperação internacional quando necessário.








