As eleições de 2026 apresentam uma participação recorde de candidatos que declararam patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão à Justiça Eleitoral. Ao todo, 6.354 concorrentes estão nessa faixa, o equivalente a 30,3% das candidaturas analisadas.
O levantamento considera as declarações de bens apresentadas pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com dados extraídos em 14 de agosto. Para a classificação, são considerados milionários os postulantes que informaram patrimônio total igual ou superior a R$ 1 milhão.
A presença desse grupo aumentou em relação às eleições gerais de 2022. Naquele pleito, 14,2% dos candidatos estavam nessa faixa patrimonial, considerando os valores corrigidos pela inflação. Já em 2026, os candidatos com pelo menos R$ 1 milhão representam pouco mais de três em cada dez concorrentes.
Na outra ponta, 7.078 candidatos, correspondentes a 33,8% do total, não apresentaram patrimônio registrado na base analisada. Nessa categoria estão tanto aqueles que declararam não possuir bens quanto os candidatos que não tinham informações patrimoniais disponíveis.
PL concentra maior número de candidatos milionários
Entre os partidos, o Partido Liberal (PL) é a legenda com o maior número absoluto de candidatos que declararam patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão.
Dos candidatos do partido, 494 informaram possuir bens nessa faixa. O número corresponde a 30,4% das candidaturas da sigla.
Entre os nomes do PL está Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 8,2 milhões.
Apesar de concentrar a maior quantidade absoluta de candidatos milionários, o PL não lidera quando o critério utilizado é a proporção de candidatos com patrimônio superior a R$ 1 milhão.
Nesse recorte, o PRTB aparece com 58% de suas candidaturas nessa faixa. A legenda, porém, possui apenas dez candidatos. Na sequência estão PSD, com 50%, e PP, com 49%.
No outro extremo, PCO, DC e Democrata apresentam as maiores proporções de candidatos sem patrimônio declarado. No PCO, essa situação representa 75% das candidaturas, enquanto chega a 63% no DC e no Democrata.
Patrimônio é maior entre candidatos a cargos majoritários
A distribuição do patrimônio também varia de acordo com o cargo disputado. As candidaturas à Presidência e à Vice-Presidência concentram a maior proporção de concorrentes com patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão.
Entre os candidatos aos dois cargos, 69% declararam bens nessa faixa. Outros 23% estão em uma faixa intermediária de patrimônio, enquanto 8% não apresentaram bens registrados.
A diferença entre os grupos chega a 61 pontos percentuais nas disputas para presidente e vice-presidente, considerando a comparação entre candidatos milionários e aqueles sem patrimônio declarado.
O cenário muda nas eleições legislativas. Entre os candidatos a deputado estadual, por exemplo, os concorrentes sem patrimônio declarado são proporcionalmente mais numerosos do que aqueles que informaram pelo menos R$ 1 milhão em bens.
A diferença nessa disputa é de oito pontos percentuais. Tendência semelhante aparece nas demais eleições para cargos legislativos, que apresentam uma participação maior de candidatos sem bens declarados em comparação com as disputas majoritárias.
Declarações de bens mostram perfil patrimonial das candidaturas
Os dados utilizados no levantamento são baseados nas declarações de patrimônio apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. O sistema considera a soma dos bens informados por cada concorrente.
A categoria de patrimônio zero reúne situações diferentes, incluindo candidatos que efetivamente declararam não possuir bens e aqueles que não apresentavam patrimônio registrado na base consultada.
Os números também mostram diferenças relevantes entre partidos e cargos. Enquanto as disputas nacionais e majoritárias concentram uma parcela maior de candidatos com patrimônio elevado, as eleições legislativas apresentam maior presença de concorrentes sem bens declarados.
O levantamento considera as informações disponíveis nas bases do TSE referentes às eleições de 2022 e 2026, permitindo comparar a composição patrimonial das candidaturas ao longo dos dois pleitos.








