Segunda fase da Operação Cifra Vermelha cumpriu mandados em Goiás e Minas Gerais e resultou no bloqueio de R$ 28,1 milhões

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (10) mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, com atuação em Goiás e no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, integrantes da organização criminosa utilizavam empresas de fachada, contas de terceiros e até contas bancárias em nome de adolescentes para movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.

A ação cumpriu dez mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Palmeiras de Goiás, além do município de Presidente Olegário, em Minas Gerais.

De acordo com as investigações, pessoas ligadas ao Comando Vermelho em Goiás criavam empresas de fachada com o objetivo de dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio de atividades criminosas. Diálogos interceptados durante as apurações indicaram que traficantes recebiam orientações para depositar valores relacionados à comercialização de drogas nas contas dessas empresas e de pessoas utilizadas como “laranjas”.

A operação é conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Rotam. A ação representa a segunda fase da Operação Cifra Vermelha, investigação voltada ao desmantelamento do braço financeiro da facção criminosa em Goiás e no Rio de Janeiro.

Por determinação da Justiça, R$ 28,1 milhões foram bloqueados nesta nova etapa. Também foi autorizada a apreensão de veículos e outros bens de luxo pertencentes aos investigados. Considerando as duas fases da operação, o valor total sequestrado pela Justiça supera R$ 56,9 milhões.

Lideranças se esconderam no Rio de Janeiro

As investigações apontam que um casal identificado como responsável pela liderança do grupo deixou Goiás após a primeira fase da operação e passou a se esconder em uma comunidade do Rio de Janeiro localizada em uma região sob influência territorial do Comando Vermelho.

Os dois foram presos cerca de três meses depois e atualmente respondem a uma ação penal apresentada pelo MPGO. A nova etapa da investigação tem como foco outras pessoas que mantinham ligação com as lideranças e que, segundo o Ministério Público, participavam da ocultação e movimentação dos recursos provenientes do tráfico.

Os investigados também seriam responsáveis por manter a conexão financeira entre integrantes da organização criminosa que atuavam em Goiás e membros da facção no Rio de Janeiro.

Primeira fase resultou em 11 denunciados

Na primeira fase da Operação Cifra Vermelha, o MPGO, por meio do Gaeco, denunciou 11 pessoas pelos crimes de integração a organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade documental.

Com o avanço das investigações e os elementos obtidos na segunda etapa da operação, a expectativa é de que novas denúncias sejam apresentadas à Justiça contra outros integrantes do esquema.

A ação desta quinta contou com a participação de promotores de Justiça e servidores do Ministério Público de Goiás, além do apoio da Polícia Militar, da Polícia Penal de Goiás e do Gaeco do Ministério Público de Minas Gerais.