Da Redação
Dark Horse teria negociado financiamento de cerca de R$ 134 milhões; produção sobre o ex-presidente também está no centro de investigação da Polícia Federal
A cinebiografia Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chama atenção pelo volume de recursos envolvidos na produção. O projeto teve um financiamento negociado de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época, montante superior ao orçamento de 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar de Melhor Filme.
O financiamento do longa voltou aos holofotes nesta quinta-feira (10), após a Polícia Federal deflagrar uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares que poderiam ter sido utilizadas na produção. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), prevê o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão.
As investigações têm entre os alvos o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atuou como produtor-executivo e roteirista de Dark Horse, além da empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora GoUp Entertainment. A PF apura, entre outros pontos, a destinação de recursos de emendas parlamentares.
As negociações para financiar o longa já haviam sido reveladas em maio. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado US$ 24 milhões ao então banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para viabilizar a obra sobre o pai.
O montante chama atenção principalmente quando comparado aos custos de produções que conquistaram a principal categoria do Oscar nos últimos anos. Moonlight: Sob a Luz do Luar, por exemplo, teve orçamento estimado em US$ 1,5 milhão. Nomadland custou aproximadamente US$ 5 milhões, enquanto Anora teve orçamento de cerca de US$ 6 milhões.
Também aparecem abaixo dos US$ 24 milhões associados ao financiamento de Dark Horse filmes como No Ritmo do Coração, com US$ 10 milhões; Parasita, com US$ 11,4 milhões; O Artista, O Discurso do Rei, Guerra ao Terror e Quem Quer Ser um Milionário?, todos com aproximadamente US$ 15 milhões.
Outras produções premiadas também tiveram custos inferiores. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) teve orçamento de cerca de US$ 18 milhões, enquanto A Forma da Água ficou na casa dos US$ 19,5 milhões.
T tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo e Spotlight: Segredos Revelados tiveram orçamento aproximado de US$ 20 milhões cada. Já 12 Anos de Escravidão custou cerca de US$ 22 milhões, e Green Book: O Guia, aproximadamente US$ 23 milhões.
Apesar da comparação, há divergências sobre o custo efetivo da cinebiografia. Uma perícia privada contratada pela defesa da GoUp Entertainment afirmou, em junho, que os gastos do filme no Brasil e nos Estados Unidos totalizaram cerca de US$ 13 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 75 milhões. O valor de R$ 134 milhões corresponde ao montante que teria sido negociado para financiamento da produção.
Estreia prevista para setembro
Dark Horse tem estreia prevista para 11 de setembro, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições de 2026. A data foi divulgada pelo ator norte-americano Jim Caviezel, responsável por interpretar Jair Bolsonaro na produção.
Conhecido por trabalhos como A Paixão de Cristo e O Conde de Monte Cristo, Caviezel lidera um elenco formado por atores brasileiros e estrangeiros. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é interpretada por Camille Guaty, enquanto Edward Finlay vive Eduardo Bolsonaro.
O ator brasileiro Sergio Barreto interpreta Carlos Bolsonaro, e Marcus Ornellas assume o papel de Flávio Bolsonaro. A direção é de Cyrus Nowrasteh. O elenco também conta com Lynn Collins, Esai Morales e Felipe Folgosi, que interpreta um policial federal.








