Da Redação
Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia, aparece em mensagem recuperada pela Polícia Federal como uma das pessoas que poderiam ajudar com despesas do filho do presidente Lula
O empresário Marcelo Checon, citado em uma conversa envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, firmou, por meio de sua empresa, contratos que somam R$ 63,4 milhões com o governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados foram divulgados inicialmente pelo Metrópoles e repercutidos nesta quarta-feira (26).
Checon é proprietário da MChecon Design e Cenografia, companhia especializada na produção de eventos, montagem de estruturas, cenografia e palcos. Desde janeiro de 2023, a empresa fechou 13 contratos com órgãos ligados ao Executivo federal, que juntos alcançam R$ 63.406.954,74.
Antes do retorno de Lula à Presidência, o histórico de contratos da empresa com o governo federal era menor. Em maio de 2022, a MChecon havia firmado um contrato de aproximadamente R$ 197 mil com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Empresa presta serviços para diferentes ministérios
Entre os principais contratantes da MChecon durante o atual governo estão os ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Turismo, da Cultura e do Desenvolvimento e Assistência Social. Em contratos com essas pastas, o valor básico informado é de aproximadamente R$ 8,74 milhões.
A empresa também conseguiu contratos de menor valor com o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Presidência da República.
Os serviços contratados estão relacionados principalmente à organização e produção de eventos, montagem de estruturas e trabalhos de cenografia.
Entre os projetos realizados pela companhia está a produção da Casa Brasil em Belém, durante a COP30, em 2025, além da estrutura da Casa Brasil montada em Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024.
Nome de empresário aparece em conversa obtida pela PF
O nome de Marcelo Checon ganhou destaque após aparecer em uma conversa recuperada pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger.
O diálogo ocorreu em agosto de 2025 e envolveu Roberta e o empresário Cleber Ribas. Na ocasião, a lobista relatou uma conversa que teria mantido com Lulinha sobre despesas pessoais do filho do presidente.
Segundo o relato de Roberta, ela teria comunicado a Lulinha que não poderia continuar pagando passagens aéreas para ele. O filho do presidente, que naquele período já havia se mudado para Madri, na Espanha, teria respondido que passaria a pedir ajuda a Cleber Ribas e Marcelo Checon.
Na mesma troca de mensagens, Roberta mencionou despesas mensais próximas de R$ 100 mil relacionadas ao que chamou de “a casa”.
O conteúdo da conversa foi revelado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmado pelo Metrópoles.
Citação não comprova pagamento de despesas
Apesar de Checon ser mencionado na conversa, a referência ao empresário não comprova que ele tenha efetivamente pago passagens aéreas ou custeado outras despesas de Lulinha.
As informações tornadas públicas até agora mostram que o nome do empresário foi citado como alguém a quem o filho do presidente poderia recorrer para conseguir ajuda financeira, mas não demonstram que os pagamentos tenham ocorrido.
Marcelo Checon foi procurado pelo Metrópoles por meio de mensagens e ligações para comentar o episódio, mas não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem original.
As mensagens fazem parte de material analisado pela Polícia Federal em investigações que apuram suspeitas envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele. O filho do presidente é alvo de inquéritos relacionados a suposto tráfico de influência envolvendo negócios com órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele não possui relação com negócios envolvendo a administração pública brasileira.
Até o momento, a existência dos contratos da MChecon com órgãos federais e a menção ao nome de Checon na conversa recuperada pela PF não representam, por si só, comprovação de irregularidade na contratação da empresa ou de que o empresário tenha custeado despesas pessoais de Lulinha.




