Da Redação

Investigadas estão presas preventivamente e são suspeitas de causar prejuízo superior a R$ 500 mil; vítimas foram identificadas em Goiás e outros cinco estados

Mais de 20 pessoas procuraram a Polícia Civil para denunciar a advogada Keythlyn Evelyn Teixeira de Lima e a secretária dela, Patrícia de Oliveira Santos, suspeitas de envolvimento em um esquema relacionado a financiamentos de veículos. O prejuízo causado às vítimas pode ultrapassar R$ 500 mil. As duas estão presas preventivamente e foram indiciadas pelos crimes de estelionato e apropriação indébita.

Segundo a investigação, as suspeitas ofereciam serviços a proprietários de veículos que estavam com parcelas de financiamentos atrasadas. A promessa era de que, mediante o pagamento de determinados valores, seria possível negociar as dívidas diretamente com as instituições financeiras, reduzir os débitos e até quitar os contratos.

A Polícia Civil apura, porém, que os valores entregues pelos clientes não eram utilizados para os acordos prometidos. Em alguns casos, mesmo depois de efetuarem os pagamentos ao escritório, as vítimas continuaram inadimplentes junto às instituições financeiras e tiveram os veículos apreendidos.

Prisões ocorreram após três denúncias

Keythlyn e Patrícia foram presas no dia 13 de agosto. A investigação teve início após três pessoas procurarem a 7ª Delegacia de Polícia de Aparecida de Goiânia e relatarem que haviam sido enganadas.

Conforme as denúncias, os clientes pagaram tanto pelos serviços prestados pelo escritório quanto valores que, supostamente, seriam utilizados para formalizar acordos e quitar os débitos dos financiamentos.

Um dos denunciantes descobriu que a negociação prometida não havia sido realizada de uma maneira inesperada: o veículo dele foi apreendido enquanto seguia para o trabalho. Ao verificar a situação, constatou que o dinheiro repassado à advogada não havia chegado à instituição financeira e que nenhum acordo havia sido aberto para regularizar a dívida.

Depois das primeiras denúncias e da divulgação das prisões, novos relatos começaram a chegar à Polícia Civil.

Mais de 20 vítimas procuram a polícia

Segundo o delegado Henrique Berocan, titular da 7ª Delegacia de Polícia de Aparecida de Goiânia, mais de 20 possíveis vítimas entraram em contato após o caso ganhar repercussão.

Os relatos não se restringem a Goiás. A polícia recebeu informações de pessoas que vivem em São Paulo, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ceará. De acordo com o delegado, parte dos clientes teria conhecido os serviços oferecidos pelas investigadas por meio de anúncios publicados nas redes sociais.

A abrangência das denúncias indica que o suposto esquema pode ter alcançado clientes de diferentes regiões do país.

Além das pessoas que procuraram diretamente a polícia, o Mais Goiás informou ter recebido relatos de outras possíveis vítimas. Entre elas estão cinco moradores de Goiânia, dois de Goianira, um de São Paulo e outro de Marabá, no Pará.

Somente essas pessoas afirmaram ter repassado, juntas, mais de R$ 200 mil ao escritório da advogada.

Veículos foram apreendidos mesmo após pagamentos

Pelo menos duas das pessoas que relataram o caso ao veículo de comunicação afirmaram que tiveram os automóveis apreendidos mesmo depois de efetuarem pagamentos que, segundo elas, seriam destinados à quitação de acordos relacionados aos financiamentos.

A suspeita investigada pela polícia é de que os clientes acreditavam que os débitos estavam sendo negociados ou regularizados enquanto, na prática, as pendências com as instituições financeiras continuavam existindo.

Com o atraso das parcelas e a ausência da negociação prometida, alguns proprietários acabaram surpreendidos pela apreensão dos veículos.

Prisões são convertidas em preventivas

Inicialmente, a advogada e a secretária foram detidas temporariamente durante o avanço das investigações. Na segunda-feira (17), a Justiça decidiu converter as prisões temporárias em preventivas.

Com isso, as duas permanecem detidas enquanto a Polícia Civil continua reunindo informações sobre o caso e identificando possíveis novas vítimas.

O delegado Henrique Berocan informou que Keythlyn Evelyn e Patrícia de Oliveira foram indiciadas por estelionato e apropriação indébita.

A Polícia Civil também decidiu divulgar os nomes e as imagens das investigadas. Segundo o delegado, a medida busca permitir que outras pessoas que eventualmente tenham contratado os serviços e enfrentado situações semelhantes possam reconhecer as suspeitas e procurar as autoridades.

A expectativa é que o número de denúncias possa aumentar conforme novas vítimas tomem conhecimento da investigação.

Até a publicação da reportagem original, as defesas da advogada e da secretária não haviam sido localizadas para comentar as acusações. O espaço permaneceu aberto para eventual manifestação.