Da Redação
Renata de Almeida Pedreira e Sousa responderá por homicídio qualificado e lesão corporal; defesa contesta qualificadoras e afirma que estado psíquico da acusada ainda precisa ser esclarecido
A Justiça de Goiás aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa, acusada de matar a facadas o jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, em Goiânia. Com a decisão, proferida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara na segunda-feira (17), Renata passa oficialmente à condição de ré no processo.
A acusada responderá pelo homicídio de Delson com duas qualificadoras: motivo fútil e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Ela também responderá por lesão corporal qualificada contra Márcia Maria Carolli, que era sua companheira e também ficou ferida durante o episódio.
A defesa de Renata informou que pretende adotar as medidas processuais cabíveis e ressaltou que o recebimento da denúncia representa apenas o início da ação penal, sem significar reconhecimento de culpa ou confirmação da versão apresentada pelo Ministério Público.
Os advogados também afirmaram que contestam as qualificadoras atribuídas ao homicídio. Segundo a defesa, tanto a alegação de motivo fútil quanto a de utilização de recurso que dificultou a defesa de Delson serão questionadas durante o processo.
Defesa aponta estado psíquico como ponto central
Um dos principais argumentos apresentados pelos representantes da dentista está relacionado às condições psicológicas dela no momento do crime.
A defesa sustenta que o estado psíquico de Renata ainda não foi devidamente esclarecido por meio de perícia. Os advogados citam elementos registrados no processo, como uma crise aguda, ameaças contra a própria vida, a longa negociação com policiais antes da prisão e a necessidade de encaminhamento hospitalar após a ocorrência.
Anteriormente, a defesa já havia pedido a revogação da prisão preventiva sob o argumento de que Renata teria sofrido um surto psicótico provocado por uma intoxicação medicamentosa associada ao uso de sedativos. Na ocasião, os advogados alegaram que a condição teria comprometido a capacidade da investigada de compreender os próprios atos.
Com o recebimento da denúncia, porém, o processo criminal seguirá em andamento. A defesa afirma confiar que o caso será analisado com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Jornalista foi morto dentro de apartamento no Setor Bueno
Delson Carlos morreu na noite de 24 de julho, após ser atingido por golpes de faca no apartamento onde morava, localizado no Setor Bueno, em Goiânia. Renata, apontada como autora do crime, era amiga do jornalista havia mais de dez anos.
De acordo com as informações reunidas durante a investigação, quatro pessoas estavam no imóvel quando teve início um desentendimento. A ocorrência evoluiu para agressões e terminou com Delson gravemente ferido.
Mesmo após ser esfaqueado, o jornalista conseguiu deixar o apartamento e tentou escapar pelo prédio. Ele, no entanto, caiu no corredor do quinto andar e morreu antes de receber atendimento.
Márcia Maria Carolli também sofreu ferimentos durante a ocorrência. O cachorro de estimação de Delson foi encontrado morto no imóvel, circunstância que também passou a integrar a apuração das autoridades.
Suspeita ficou cerca de quatro horas dentro do imóvel
Depois da morte do jornalista, Renata permaneceu trancada no apartamento por aproximadamente quatro horas. Durante a ocorrência, policiais tentaram negociar para que ela deixasse o local.
Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionadas e realizaram uma entrada tática no imóvel após as tentativas de negociação. A dentista foi contida, recebeu atendimento médico e ficou sob custódia.
A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva. Desde então, Renata permanece à disposição da Justiça.
Com a aceitação da denúncia, a acusada passa agora a responder formalmente pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público. Ao longo da ação penal, acusação e defesa poderão apresentar provas e argumentos, além de solicitar perícias e ouvir testemunhas antes das próximas decisões judiciais sobre o caso.






