Da Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito para que a Polícia Federal investigue o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. A decisão atende a um pedido da corporação e também inclui a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo a investigação, a apuração busca esclarecer se Lulinha teria atuado para facilitar o acesso de Antônio Carlos Camilo Antunes a integrantes do Ministério da Saúde durante tratativas envolvendo a possível comercialização de medicamentos à base de canabidiol em programas do governo federal. A Polícia Federal pretende verificar se houve favorecimento indevido ou influência sobre agentes públicos.

Antônio Carlos Camilo Antunes é um dos principais investigados da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Paralelamente, a PF também investiga sua atuação em negociações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal.

De acordo com as investigações, o lobista buscou firmar contratos com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol entre 2024 e 2025. As negociações, no entanto, não avançaram e nenhum contrato foi firmado com a pasta. A nova apuração pretende identificar se houve tentativa de obtenção de vantagens indevidas durante esse processo.

A autorização do ministro André Mendonça permite que a Polícia Federal realize diligências para reunir provas, ouvir testemunhas e aprofundar as investigações. O inquérito ainda será formalmente instaurado antes do início das medidas investigativas.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer irregularidade e afirma que a atuação do empresário ocorreu dentro da legalidade. Segundo os advogados, não houve tráfico de influência nem favorecimento em relação às negociações envolvendo produtos à base de canabidiol. Até o momento, os demais investigados também não se manifestaram publicamente sobre a decisão do STF.