Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta quinta-feira (30) com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, em meio à repercussão das declarações do brasileiro sobre a Guerra do Paraguai. O contato ocorreu após manifestações de insatisfação do governo e do Congresso paraguaios, que classificaram a fala de Lula como uma distorção dos fatos históricos.

A controvérsia começou durante um evento em Jacareí (SP), quando Lula defendeu investimentos na área de Defesa e relembrou o conflito do século XIX. No discurso, o presidente afirmou que “o Paraguai resolveu invadir o Brasil”, mencionando ainda ataques ao Uruguai e à Argentina e destacando os impactos da guerra para a região.

As declarações provocaram reação imediata no Paraguai. O Congresso do país aprovou uma nota de repúdio, alegando que o presidente brasileiro apresentou uma versão incompleta da história e desconsiderou o elevado custo humano da Guerra da Tríplice Aliança para a população paraguaia.

Além da nota do Legislativo, o governo paraguaio convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para receber um posicionamento oficial. A reunião foi marcada para ocorrer com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, que entregará uma nota diplomática sobre o episódio.

A conversa entre Lula e Peña foi confirmada pelo chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. Embora o conteúdo do telefonema não tenha sido divulgado, a ligação é vista como uma tentativa de reduzir a tensão diplomática entre os dois países e preservar o diálogo bilateral.

O episódio ocorre em um momento de estreita cooperação entre Brasil e Paraguai em temas como integração regional, comércio e Itaipu Binacional. Apesar do desgaste provocado pelas declarações, autoridades dos dois governos indicam que o objetivo é evitar que o impasse comprometa a relação entre os países.