WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente Donald Trump renovou por mais um ano a emergência nacional declarada contra o Brasil, preservando a base legal que permite ao governo americano manter medidas adotadas com fundamento na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).
A renovação não cria novas sanções nem amplia as medidas já adotadas contra o Brasil. Na prática, preserva a base jurídica que permite ao governo americano manter ações fundamentadas na IEEPA. Porém, o uso dessa lei para sobretaxar os países foi derrubado pela Suprema Corte e, por isso, esta renovação não deve ter efeito prático sobre o Brasil.
A decisão vai ser publicada nesta quarta-feira (29) no Federal Register, o Diário Oficial dos EUA, e atende à exigência da NEA (National Emergencies Act), segundo a qual uma emergência nacional expira automaticamente após um ano.
Ao justificar a renovação, Trump reiterou as acusações feitas contra o governo brasileiro no ano passado. Segundo o documento, políticas e ações do Brasil continuam representando uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
O texto volta a citar supostas violações à liberdade de expressão e aos direitos humanos, além de afirmar que integrantes do governo brasileiro promovem perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores. Também menciona decisões do STF, acusando a corte de censurar conteúdos online e prender pessoas por exercerem liberdade de expressão.
Essa lei foi usada no ano passado para que o governo Trump aplicasse uma sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros, que foi somada à tarifa de 10% anunciada no início da gestão. Ao todo, o Brasil foi sobretaxado em 50% porém, as tarifas caíram, parte delas após a reaproximação entre Trump e o presidente Lula (PT) e, meses depois, após a Suprema Corte suspender o uso da IEEPA por Trump.
Apesar disso, o Brasil agora enfrenta outras tarifas, que foram anunciadas ao longo de julho, somam 37,5% de sobretaxas aos produtos brasileiros e são frutos de duas investigações do USTR (Escritório do Comércio dos EUA).
Na primeira delas, o Brasil foi acusado de práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e censura das redes sociais, e por isso foi sancionado com 25% apesar de ter uma lista extensa de exceções. A outra é a investigação que o Brasil foi incluído, assim como outras 59 economias, por supostamente falhar no combate ao trabalho forçado.



