SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo voltou a cair nesta terça-feira (28) com a retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao Oceano Índico, e o quarto dia de trégua entre EUA e Irã.
O barril Brent, referência mundial, chegou a cair 6,04%, por volta das 13h (horário de Brasília), cotado a US$ 80,68 (R$ 412,67) para o contrato de outubro, o mais negociado nesta terça.
É o menor valor desde 13 de julho, quando estava em US$ 77,28 e havia um cessar-fogo entre norte-americanos e iranianos. Depois disso, os dois países suspenderam o acordo e trocaram ataques durante 13 dias, até o último sábado (25). Neste período, o Brent chegou a atingir US$ 102.
Já o contrato de setembro do Brent estava cotado a US$ 81,24 (R$ 415,54), às 13h50. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 78,47 (R$ 401,37), queda de 5,08%, no mesmo horário, para o contrato de setembro. A entrega em outubro estava cotada a US$ 78,50 (R$ 401,53).
Os negociadores ficaram mais calmos com a suspensão dos ataques e a retomada gradual do tráfego em Bab el-Mande, alternativa usada pela Arábia Saudita para escoar sua produção de petróleo com o bloqueio no estreito de Hormuz.
A empresa de dados marítimos Kpler informou que 28 navios passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb na segunda-feira (27), a maior marca dos últimos quatro dias, mas abaixo dos 46 navios registrados em 14 de julho, enquanto o tráfego pelo estreito de Hormuz permaneceu baixo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que as negociações de Washington com o Irã estavam avançando e poderiam levar a uma resolução, mas alertou que a ação militar poderia ser retomada caso as negociações fracassassem. O Irã fez comentários semelhantes sobre retaliação.
Nesta terça, Omã apresentou aos iranianos uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do Hormuz, com taxas voluntárias, informou uma pessoa do setor à agência de notícias Reuters.
De acordo com a proposta de Omã, que conta com apoio regional e foi apresentada a autoridades iranianas no fim de semana em Teerã, o Irã não exerceria o controle exclusivo dessa via navegável vital.
A proposta se baseia no Estreito de Malaca, que liga os oceanos Índico e Pacífico e é administrado em conjunto pelos países que fazem fronteira com ele: Indonésia, Malásia e Singapura.
De acordo com a proposta, aqueles que utilizam o Estreito de Ormuz contribuiriam voluntariamente para um fundo que financiaria os custos de gestão da navegação, proteção ambiental e busca e resgate, entre outros serviços.
O Irã já afirmou que pretende manter o controle sobre Hormuz, enquanto os EUA vêm pressionando para ser o responsável por esta tarefa. Esse embate tornou-se o principal obstáculo nas negociações para pôr fim à guerra e também um ponto de tensão que pode levar a novos confrontos.



