SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A estreia do impedimento semiautomático no Brasileirão trouxe à tela uma demonstração na prática de algumas diferenças entre o sistema adotado pela CBF e o que Fifa usou na Copa do Mundo.
Um ponto a CBF já decidiu ajustar: vai passar a exibir o momento do passe. E não só a parte das linhas e jogadores na reprodução 3D que mostra se a jogada estava regular ou não -como acontece na Premier League.
Esse passo depende agora de ajustes técnicos com a Genius Sports, empresa que fornece o aparato tecnológico na liga brasileira. A falta do momento do passe é uma das diferenças dos aspectos gráficos na comparação com a Fifa -fornecido pela Hawk-Eye.
A empresa que tem contrato com a Fifa chegou a ser consultada pela CBF para o semiautomático do Brasileirão, até porque já fornece o equipamento do VAR brasileiro. Mas houve entraves contratuais que fizeram a CBF se direcionar para a Genius.
Outra questão que o torcedor notou foi o ângulo da câmera nas representações das jogadas. A Fifa traz uma tomada lateral para comparar o posicionamento dos jogadores.
De todo modo, ambos os sistemas fazem uma parede branca para ressaltar se alguma parte do corpo deixou o jogador em questão impedido. Nos casos dos gols anulados de Flamengo e Bahia na rodada do fim de semana, foi um pedaço do pé dos atacantes.
A exibição dos lances acontece de forma relativamente rápida, na comparação com o sistema da Copa. A CBF contabilizou que as decisões na primeira rodada aconteceram entre 33 segundos e 64 segundos.
“Um ponto importante é a velocidade para poder entregar a comprovação digital se o jogador está impedido ou não. É questão de segundos para a gente garantir se houve impedimento ou não”, disse Guilherme Buso, diretor da Genius Sports para a América Latina, à reportagem.
Acrescentar às transmissões o corte em 3D do momento do passe pode aumentar o tempo para conclusão da checagem e exibição das imagens da jogada.
Por mais que a CBF queira tornar público o ponto de contato na hora do passe dos lances analisados, essa ação, por si só, parte de uma premissa diferente em relação ao sistema da Fifa.
“A gente não usa chip na bola. Nosso sistema é baseado em câmeras espalhadas pelo estádio. São 28 câmeras, celulares, que fazem a captação. É tudo baseado em imagens. Temos uma velocidade muito alta, não fica borrada a imagem do jogador, a gente sabe precisamente a hora que a bola sai do pé do jogador e se ele está à frente do oponente”, explicou o diretor da Genius.
Essa captação do ponto de contato é feita de forma automática. Na Fifa, apesar de contar com menos câmeras (16), o chip na bola trazia um gráfico tipo eletrocardiograma que apontava quando havia algum toque.
No sistema adotado pela CBF, o termo “semiautomático” entra em vigor porque o aviso do impedimento não é feito pelo software (ou uma voz de IA) no ouvido do árbitro assistente.
No modelo da Genius, o VAR tem o dever de validar as indicações da ferramenta. E o ponto de contato é um dos elementos já trazidos automaticamente e compõem a decisão final humana. Depois disso, o árbitro de vídeo comunica a quem está no campo a decisão sobre o lance factual.
As câmeras no Brasileirão captam 100 frames por segundo. Na Copa, eram 50.
“Se você identifica o momento que a bola sai do pé do jogador e a posição do atacante, você sabe se ele está impedido ou não. Não tem segredo. A gente consegue precisamente determinar se está impedido ou não”, acrescenta Buso.
E A CBF?
Em nota, a CBF explicou que “o termo ‘semiautomático’ refere-se, exclusivamente, à etapa de validação. A equipe de arbitragem de vídeo não recalcula, não redesenha linhas e não decide o posicionamento dos jogadores: sua função é conferir e confirmar aquilo que a tecnologia já produziu”.
A entidade ponderou que, “em situações muito raras, como oclusões parciais, jogadores ocupando praticamente o mesmo espaço ou lances que exigem interpretação, o VAR pode avançar ou retroceder um quadro para assegurar que o ponto de contato capturado corresponde exatamente ao momento do passe. Trata-se de um ajuste pontual de precisão, e não de uma alteração de critério ou de resultado. Nenhuma situação assim aconteceu na 20ª rodada do Brasileirão”.



