SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A possível renovação de Memphis Depay tem gerado forte repercussão política nos bastidores do Corinthians. A reportagem apurou que aliados do presidente Osmar Stabile cogitam deixar de apoiá-lo caso o dirigente assine a extensão contratual do atacante holandês.
Ainda assim, a permanência do jogador é tratada com otimismo nos bastidores do clube. Pessoas envolvidas nas negociações afirmam que as tratativas avançaram mesmo diante de uma série de obstáculos colocados pelo Corinthians ao longo do processo.
Em resposta à reportagem, Stabile optou por não se manifestar.
Entre os principais pontos discutidos estavam o tempo de contrato e a forma de pagamento da dívida referente ao vínculo atual. Memphis desejava assinar por três temporadas, mas aceitou um contrato de dois anos com o clube.
O jogador também concordou em fixar a dívida do contrato atual em R$ 42 milhões, sem a incidência de juros, multas ou outras correções. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a inclusão desses encargos poderia praticamente dobrar o valor devido.
O novo contrato prevê vencimentos próximos de R$ 2 milhões mensais. A maior parte do valor será paga pelo orçamento do departamento de futebol, enquanto cerca de 25% deverá ser custeada por meio de acordos comerciais vinculados ao departamento de marketing.
Apesar da redução salarial em relação ao contrato anterior, pessoas próximas a Osmar Stabile entendem que a renovação ainda representa um compromisso financeiro incompatível com a atual realidade do clube. Também há preocupação em relação à condição física do atacante, que conviveu com lesões nesta temporada e passou um longo período afastado dos gramados.
Outro ponto levantado nos bastidores é a influência exercida por Memphis dentro do Corinthians. Conselheiros e pessoas que circulam pelo clube avaliam que o protagonismo do jogador é maior do que o habitual e que isso lhe daria poder excessivo nas decisões relacionadas ao futebol.
A continuidade do holandês também divide integrantes da atual gestão. Pessoas ligadas à administração de Osmar Stabile defendem que os esforços financeiros deveriam ser direcionados ao pagamento de dívidas com atletas do atual elenco e à valorização de jogadores que já estão à disposição da comissão técnica.
OPOSIÇÃO POLÍTICA
A resistência à renovação une grupos políticos distintos dentro do Corinthians. Além de aliados do presidente serem contrários ao acordo, integrantes da oposição também se manifestam contra a permanência do atacante.
O departamento de futebol do Corinthians também apoia a renovação contratual. O executivo Marcelo Paz participou ativamente da elaboração e do envio da proposta apresentada ao jogador, sempre com a premissa de manter o atleta no elenco sem comprometer ainda mais as finanças do clube.
ACORDO ENCAMINHADO E PRESSÃO NOS BASTIDORES
Neste momento, as partes aguardam apenas a formalização do acordo. Após o avanço das negociações no último fim de semana, Memphis se programou para retornar ao Brasil nos próximos dias para realizar exames médicos e assinar o novo contrato.
Entre clube e jogador, os termos já estão acertados verbalmente. Falta apenas a formalização do documento e a coleta das assinaturas para que a renovação seja oficializada.
Enquanto isso, aliados políticos do presidente seguem tentando convencê-lo a não assinar o acordo. Integrantes da oposição também mantêm pressão contrária à permanência do holandês.



