SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Omã apresentou ao Irã uma proposta para criar um mecanismo regional conjunto de gestão do Estreito de Hormuz, baseado em contribuições voluntárias de países e empresas que usam a rota.
A proposta de Omã visa garantir a segurança da navegação e evitar o controle exclusivo do Irã sobre a via marítima. Segundo uma fonte do Golfo ouvida pela agência Reuters nesta terça-feira (28), o plano prevê que os usuários do canal financiem de forma voluntária a segurança, a proteção ambiental e operações de busca e salvamento.
O modelo sugerido tem como referência o adotado no Estreito de Malaca, que interliga os oceanos Índico e Pacífico. A iniciativa de Omã conta com o apoio de outros países da região para tentar viabilizar uma administração compartilhada da via navegável.
O Estreito de Hormuz é considerado uma das passagens mais estratégicas do mundo para o comércio e transporte de energia. Antes do início das hostilidades recentes, a rota concentrava cerca de um quinto de todo o suprimento energético global exportado do Oriente Médio.
Os Estados Unidos suspenderam de forma abrupta uma campanha de ataques aéreos contra o Irã no último fim de semana. A decisão aumentou as expectativas de uma solução diplomática que permita a retomada segura da navegação comercial pelo estreito.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o governo mantém conversas promissoras com os iranianos. “Estamos tendo boas conversas”, disse Trump na segunda-feira (27), embora tenha alertado que os bombardeios americanos serão retomados caso as negociações fracassem.
ARTICULAÇÃO DIPLOMÁTICA E COBRANÇAS DO IRÃ
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, conversou por telefone com os chanceleres da Arábia Saudita e de Omã. De acordo com o governo iraniano, as conversações serviram para debater a segurança marítima e tentar estabelecer a estabilidade no Oriente Médio.
Araqchi defendeu a união das nações da região para afastar a interferência de forças externas. Em nota oficial, o chanceler cobrou esforços para “eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Hormuz devido às ações agressivas dos Estados Unidos”.
As preocupações com a segurança das rotas comerciais continuam elevadas entre os governos locais. Recentemente, o Irã ameaçou reagir a um ataque ucraniano contra um navio mercantil no Mar Cáspio, em meio a novos relatos de incidentes com drones e movimentações militares na região.



