SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), uma das denominações evangélicas mais tradicionais e influentes do país, elegeu nesta segunda (27) o reverendo Juarez Marcondes Filho para a presidência de seu Supremo Concílio.

O líder religioso venceu a disputa em segundo turno contra o reverendo Robinson Grangeiro, atual chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que é ligada à IPB.

Até o momento, a direção da IPB não publicou um comunicado oficial com os números consolidados da apuração, mas a vitória foi confirmada à reportagem por fontes que acompanham as deliberações do concílio, o órgão máximo da entidade. Marcondes já era o secretário-executivo, um cargo mais operacional do dia a dia administrativo da igreja —Grangeiro foi eleito para assumir esse posto.

Há anos à frente da Igreja Presbiteriana Central de Curitiba (PR), Marcondes é visto no meio eclesiástico como um perfil moderado. Sua ascensão ocorre em um momento no qual a denominação, enquadrada no protestantismo histórico, vivencia debates internos intensos sobre seus rumos pastorais e institucionais.

O mandato do novo presidente será marcado por agendas sensíveis, que exigirão habilidade política para costurar pontes entre as diferentes alas da denominação.

O papel feminino na estrutura da igreja permanece como uma das pautas mais tensas. Em 2022, em sua última reunião quadrienal, o Supremo Concílio determinou interdições severas à participação das mulheres no cotidiano da igreja, como pregar em “cultos solenes” e distribuir a Santa Ceia. Elas, que já não podiam ser ordenadas pastoras, acabaram com um espaço ainda mais reduzido.

O envolvimento de lideranças presbiterianas no debate político e social, sobretudo em prol do bolsonarismo, também tem gerado fricções internas sobre os limites da atuação institucional da IPB na arena pública.

Outro ponto delicado: a necessidade de dialogar com as demandas das novas gerações sem desfazer a coesão teológica com as frentes mais conservadoras do presbiterianismo.

Até a compatibilidade do Legendários com a doutrina reformada da IPB entrou na berlinda. Um parecer apresentado por lideranças do Tocantins questiona se o movimento deveria ser vetado para membros da igreja, por recorrer a metodologias típicas de coaching que, na avaliação da comissão responsável pelo documento, acabam relativizando a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.

Em entrevista para um canal presbiteriano, que precedeu a eleição, Marcondes se apresentou como a quinta geração de presbiterianos da família no Brasil e destacou como prioridade reafirmar a ligação do Mackenzie com a tradição reformada associada ao protestantismo histórico, de igrejas como a presbiteriana e a metodista. Isso envolve um cuidado, segundo ele, para evitar que a militância ideológica em sala de aula subverta os valores bíblicos.

Marcondes Filho substitui o reverendo Roberto Brasileiro Silva, que liderava o Supremo Concílio desde 2002. Brasileiro virou vice-presidente, já que existe uma previsão na constituição da IPB que o atual presidente ocupe essa cadeira automaticamente quando outro for eleito para sua posição.