SÃO PAULO, SP, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Itamaraty negou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam ao Brasil nos próximos dias.

Segundo revelou o The Washington Post neste sábado (25), o presidente americano, Donald Trump, planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal americano.

Segundo o Itamaraty, foram negados vistos a dois diplomatas dos Estados Unidos. À Folha, integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.

Os vistos foram solicitados no dia 20 de julho pelo secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. A divulgação de informação falsa sobre as urnas por Flávio ocorreu no dia 21, e a negativa do Itamaraty ocorreu na sexta-feira (24).

A intenção dos diplomatas era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno, que acontecerá no dia 4 de outubro. O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta, temendo a instrumentalização da viagem.

A avaliação é que quando Flávio Bolsonaro repetiu uma informação falsa citando a CIA (sigla para Agência Central de Inteligência dos EUA), estava preparando seu discurso para caso de derrota na eleição. Isso poderia fomentar uma tentativa de intervenção, algo rechaçado pelas autoridades brasileiras.

Durante uma conversa com embaixadores na segunda-feira, Flávio afirmou: “Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.

“É uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira”, disse uma autoridade ao Washington Post, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizada a dar entrevista.

O Departamento de Estado confirmou, em comunicado, que a viagem ao Brasil está na agenda de Barnes e Samson, mas não deu detalhes sobre o motivo da visita.

Nem Barnes nem Samson responderam à reportagem do Post solicitando comentários.