SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) teve de mobilizar trabalhadores da empresa nesta sexta-feira (24) para exercer funções que não operavam desde maio, quando começou a fase de transição das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade.
Por causa da pane de quinta-feira (23), no terceiro dia de gestão dos três ramais pela Trivia Trens, o governo Tarcísio de Freitas determinou que a empresa estatal assumisse a operação das linhas por ao menos 90 dias.
As três linhas transportaram quase 20 milhões de passageiros por mês.
“Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus. É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje [quinta]”, disse o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante um evento no interior do estado no dia da pane.
Michael Sotelo Cerqueira, presidente da CPTM, disse que começou a mobilização de funcionários ainda na quinta-feira, assim que foi decidido que a estatal reassumiria a operação das linhas.
“Foi uma operação bastante complexa, que demandou energia”, afirmou o executivo à reportagem. “Tivemos que mobilizar todo mundo e refazer escalas, não foi algo tão simples e trivial.”
A retomada das operações pela CPTM foi decidida após uma série de reuniões ao longo de quinta-feira. Um gabinete de crise acabou montado logo no começo da manhã.
A decisão, do Conselho Diretor da Artesp (agência reguladora de transportes) foi oficializada em uma publicação no Diário Oficial do Estado. O texto diz que a medida foi necessária para resguardar o interesse público, “prevenir danos e assegurar a regularidade do processo [de concessão] em curso.”
O leilão que definiu a concessão ocorreu em março do ano passado e foi vencido pelo grupo Comporte Participações, criado por Nenê Constantino, da família fundadora da companhia aérea Gol, a holding voltada ao setor de transporte, principalmente rodoviário. Os investimentos previstos são de R$ 14,3 bilhões.
A fase de transição começou em maio passado, quando funcionários da empresa passaram a ter contato direto com a rotina das operações da CPTM. Depois houve a inversão. Na terça (21), a companhia privada havia assumido o controle, também supervisionada. O processo agora retorna à primeira fase da transição.
Somente após um ano, ou seja, em julho de 2027, a concessionária assumiria integralmente os trabalhos. A manutenção do prazo agora é uma incógnita.
Segundo Cerqueira, algumas áreas consideradas sensíveis na operação não tiveram seus times completos, como manutenção preventiva, devido ao pouco tempo para a mobilização, mas os trens rodaram normalmente.
“Em algumas estações, ao invés de quatro colaboradores, tínhamos três, mas isso não afetou a qualidade”, disse.
Funcionários da Trivia Trens participaram da operação em conjunto com os da CPTM.
A falha em um trem por volta das 5h40 provocou uma “ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás” envolvendo a linha 12, segundo a empresa. A circulação foi interrompida nas três linhas e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações.
Um trem pegou fogo com os passageiros ainda dentro. Ninguém se feriu.
“A prioridade desde o primeiro momento foi a segurança das pessoas e a rápida mobilização de equipes para o restabelecimento da operação no menor tempo possível”, disse a concessionária, em nota.
Uma comissão permanente de segurança, que entre outros têm a CPTM e a própria Trivia Trens, vai analisar as causas da falha.
Cerqueira não quis opinar sobre o problema, que ocorreu nas mãos de outro operador, mas disse que foi uma falha relevante. “Precisamos aprender com ela, porque falhas acontecem, sistemas são complexos”, afirmou.



