SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa fechou em queda de 1,51%, a 174.041 pontos nesta sexta-feira (24), pressionada pelo recuo dos preços do petróleo, que desvalorizou as ações das petrolíferas brasileiras em meio à guerra no Oriente Médio.

Durante o pregão, investidores também avaliaram o impacto das novas tarifas aplicadas sobre o Brasil de 12,5% por supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso de trabalho forçado.

O dólar encerrou o dia próximo da estabilidade, em recuo de 0,06%, cotado a R$ 5,080.

Na semana, o dólar caiu 0,58%, enquanto o Ibovespa subiu 0,18%. No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 7,43%, e o principal índice da Bolsa, alta de 8,02%.

Nesta sexta, o ambiente foi de maior cautela global diante da guerra no Oriente Médio e das tarifas dos EUA sobre o Brasil.

Durante a tarde, negociadores paquistaneses disseram à Reuters estarem tentando retomar as negociações paralisadas entre EUA e Irã.

Mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, chegando até a costa do Mar Cáspio, na manhã desta sexta, depois que Donald Trump disse estar “considerando um ataque maciço, maior do que nunca” contra a teocracia.

A ofensiva é uma resposta aos ataques dos houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.

O agravamento do conflito aumenta a cautela dos investidores e reduz o apetite por ativos de mercados emergentes, o que pressiona o desempenho da Bolsa. A guerra também influencia os preços do petróleo.

Nesta sexta-feira, porém, as cotações passaram por um ajuste. O barril do Brent, referência mundial da commodity, recuou durante todo o pregão após registrar forte alta na quinta-feira.

Por volta das 17h, o Brent era negociado a US$ 96,82, queda de 3,78%. O recuo foi responsável por fazer ações de Petrobras, Prio e PetroRecôncavo recuarem entre 1,72% e 2,85% durante o dia. Na quinta-feira, o barril chegou a US$ 101,99, o maior valor desde 20 de maio.

A queda nos preços também repercutiu no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caía para 14,16%, recuo de 21 pontos-base em relação aos 14,370% do ajuste da sessão anterior.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

O dólar também passou por ajuste na sessão após subir 0,62%, a R$ 5,084, na véspera. Por volta das 17h, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, rondava a estabilidade, com avanço de 0,03%. Na quinta, a alta foi de 0,30%.

Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o conflito no Oriente Médio fortalece ativos considerados de segurança. Desde o início do conflito, em fevereiro, o DXY acumula valorização de mais de 3%.

“Em cenários de incerteza, ocorre um movimento de fuga de capital. Nele, os investidores tendem a liquidar suas posições em emergentes, como o Brasil, e migrar seus recursos para o mercado americano”, afirma.

O mercado dos EUA também atrai investidores pelos Treasuries, títulos da dívida pública do país, que são considerados um dos ativos mais seguros do mundo.

No mercado de ações americano, o dia foi misto. Nasdaq encerrou o dia com queda de 0,64%, enquanto o Dow Jones e S&P 500 avançaram 0,46% e 0,06%, respectivamente.

A política tarifária dos EUA também se manteve no radar dos analistas do mercado financeiro. Na quinta-feira, o governo norte-americano decidiu aplicar uma tarifa de 12,5% ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio, em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. A medida passou a ser aplicada à 1h01 desta sexta-feira (horário de Brasília).

A taxa se soma à de 25%, anunciada na semana passada (21), sobre diversos produtos brasileiros em razão de práticas comerciais supostamente desleais do país.

Segundo levantamento do órgão de monitoramento Global Trade Alert, a alíquota tarifária efetiva brasileira saltou de 11% para 17,7% com as novas taxas.

“Embora a parte importante da pauta exportadora tenha permanecido fora das medidas anunciadas, o mercado passa a incorporar um prêmio adicional de risco, especialmente diante da ausência de avanços concretos nas negociações entre os dois países”, afirma Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX.

A lista dos produtos brasileiros isentos dessa nova tarifa tem mais de 2.100 itens e é, na maior parte, idêntica ao que foi excluído da sobretaxa de 25%. Mais de 2.000 produtos aparecem nas duas, incluindo petróleo, carnes, suco de laranja e café instantâneo.

Outros 60 parceiros comerciais dos EUA também foram afetados, com taxas que variam de 10% a 12,5%. Juntos, respondem por 99,4% das importações do país.

As tarifas foram aplicadas com base na Seção 301, que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos a investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano e adotar medidas retaliatórias, tarifárias ou não.