SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A cantora Anitta revelou que deu um passo atrás em sua carreira internacional com o disco “Equilibrium 2”, lançado nesta sexta-feira (24). A segunda parte do projeto lançado em abril foi pensado para o público da artista de fora do Brasil, mas ela desistiu da ideia no meio do caminho.

“Quando decidi desacelerar, e vi minha vida melhorar, começou a me dar essa vontade de lançar a segunda parte do álbum [para o público] internacional. Achei que era um caso ganho”, ela disse em encontro virtual com a imprensa.

O que mudou sua ideia foi o trabalho como atriz no filme “Pedro e Nina”, dos Estúdios Globo, do qual é protagonista. “Estava gravando todo dia, de segunda a sábado, e voltei a ter o ritmo de trabalho de antigamente. Andei para trás em toda evolução interna que eu tinha garantido nesse tempo. Vi que não era uma causa ganha.”

Anitta se refere ao momento recente de desaceleração na carreira e à jornada de autoconhecimento e de espiritualidade aflorada que inspirou as duas partes de “Equilibrium”. Essa evolução interna, ela disse, é como uma musculatura. “Tem que estar indo sempre para o corpo estar durinho, saudável, sem dor nos ossos e na coluna.”

A cantora disse que seu “jeito reativo de ser”, que ela lutou para abandonar, voltou à tona quando a rotina de trabalho no filme apertou. “Aprendi muito e desisti de fazer essa segunda parte do álbum ser internacional. Voltei ele para o Brasil, porque tenho mais tempo para mim.”

A música “Sem Pressa”, do novo disco, segundo Anitta, foi uma lembrança da razão de ela ter “dado um passo atrás” com sua carreira voltada ao público gringo. “Feliz mesmo eu sou no Brasil. Posso ter desejos internacionais, mas a felicidade é morar no meu país”, afirmou. “Para manter as duas carreiras, eu dedicava muito do meu tempo de vida. Me tornava uma pessoa estressada, com muitos gatilhos e uma dificuldade de crescer internamente.”

Por essa razão, a artista diz apoiar o fim da escala 6×1. “As pessoas precisam ter tempo para elas. É desumano trabalhar tanto. É necessário tempo para relaxar, para estar consigo mesmo, é muito importante.”

Ela comentou a inclusão do forró em músicas de “Equilibrium 2”, dizendo que sua família é paraibana e precisava honrar essa ascendência. O convite a Alceu Valença para participar de “Não me Cutuca”, afirmou a cantora, ocorreu porque ele tinha “tudo a ver” com o verso que o pernambucano canta na faixa.

Sobre a participação de Maria Bethânia em “Ogum me Rodeia”, Anitta contou que ficou sem acreditar. “Ela é referência da minha vida. Antes não era da minha música porque não tinha nada a ver. Mas é referência de vida, de arte, de tudo que acho belo, criativo e perfeito. Ela é perfeita.”

Para a cantora, as duas partes de “Equilibrium” são os discos que mais a representam, os mais verdadeiros de sua carreira. “Funk Generation”, álbum de 2024 dedicado ao gênero que a revelou, segundo Anitta, não mostra todas as suas facetas. “Ele traz uma parte de mim, mas é incompleto, porque não mostra as mais profundas.”

A releitura que ela fez de “Pra Você Gostar de Mim”, de Carmen Miranda, é o grande diferencial do segundo volume de “Equilibrium”. “Traz o dilema, o meu conflito interno pessoal que gerou a necessidade de me aprofundar no autoconhecimento. Foi por conta desse vazio, dessas tristezas internas, que criei a necessidade de me conhecer internamente e chegar às conclusões que cheguei. No primeiro, não tem uma música assim -mais sofrida.”

Anitta ainda criticou os algoritmos das redes sociais. Segundo a cantora, eles funcionam para viciar as pessoas mostrando conteúdo que elas já conhecem e gostam, motivo pelo qual acha difícil promover uma mudança estética tão brusca em sua carreira.

“É uma inteligência artificial treinada para viciar o ser humano. Mostra o que a gente gosta de ver, mais do mesmo, deixa a gente preso naquilo. É difícil fazer o público que te conhece com determinada imagem, jeito de ser, identidade fazer ele acreditar numa nova vertente de você mesma. Não esperava ter essa aceitação”, ela afirmou.

O vício em smartphones e bets, diz Anitta, é uma das razões pelas quais ela não sabe se fará mais shows da nova turnê -apenas cinco foram anunciados, a partir de agosto. A cantora vai avaliar se marcará mais datas após a primeira leva de apresentações.

“É um momento ruim da economia, muito por conta do vício das pessoas em bets -por isso, a economia não gira”, ela afirma. “E o vício em telefone, que tira a vontade das pessoas de sair.”