SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de anos tentando conciliar uma carreira internacional com a agenda intensa no Brasil, Anitta diz que decidiu diminuir o ritmo.

A mudança, segundo ela, não foi estratégica para a música, mas para a própria vida. Durante o lançamento de “Equilibrium 2”, a cantora afirmou que percebeu que o sucesso fora do país tinha um custo alto demais para sua saúde mental e que precisou rever prioridades.

“Feliz mesmo eu sou no Brasil”, afirmou. “Eu posso ter desejos profissionais internacionalmente, mas felicidade mesmo me traz morar no meu país. Para manter as duas carreiras eu abdicava muito do meu tempo de vida, do meu tempo para mim. Isso me tornava uma pessoa muito estressada, cheia de gatilhos e sem espaço para crescer internamente.”

Segundo a artista, a percepção ficou ainda mais evidente durante as gravações de um filme, quando voltou a enfrentar uma rotina semelhante à que mantinha no auge da agenda internacional.

“Quando voltei a gravar todos os dias, de segunda a sábado, percebi que andei para trás em toda a evolução interna que tinha conquistado. Entendi que autoconhecimento é como musculação: você precisa praticar constantemente. Se volta para a rotina antiga, volta também para os antigos comportamentos.”

A experiência fez Anitta desistir, pelo menos por enquanto, da ideia de lançar uma continuação internacional do projeto. “Voltei com ele para o Brasil porque aqui consigo ter mais tempo para mim. Talvez, para voltar a uma carreira internacional desse tamanho, eu precise planejar muito bem como fazer isso sem abrir mão da minha qualidade de vida.”

A cantora ainda relacionou essa vivência ao posicionamento que costuma defender em relação às jornadas de trabalho. “É por isso que eu apoio tanto o fim da escala 6×1. As pessoas precisam ter tempo para elas. É desumano trabalhar tanto.”

O novo disco também nasce desse processo de transformação pessoal. Se a primeira parte do projeto apresentava uma busca espiritual, Anitta diz que ” Equilibrium 2″ mergulha nas consequências desse caminho, incluindo momentos de vulnerabilidade.

Ela cita a releitura de “Você Gostar de Mim”, eternizada por Carmen Miranda, como uma das faixas mais pessoais do álbum.

“Essa música traz o conflito interno que gerou a necessidade de eu buscar autoconhecimento. Foi desse vazio, dessas tristezas e desses questionamentos que surgiu toda essa transformação que vivi e que aparece nos visuais do projeto.”

O álbum também amplia a presença da música brasileira em diferentes ritmos. Para a cantora, incluir um forró era indispensável por representar parte de sua própria história familiar.

“Precisávamos muito ter um forró para honrar esse lado da minha família. A gente quis mergulhar ainda mais nas músicas que já escutava e das quais já gostava.” As participações especiais, segundo Anitta, surgiram sem planejamento prévio. Cada convidado foi escolhido conforme as músicas iam tomando forma durante o processo de criação.

A participação que mais a emocionou foi a de Maria Bethânia. “Quando ela aceitou, eu demorei até para acreditar. Ela sempre foi uma referência enorme na minha vida, não necessariamente no meu trabalho, mas como artista e como pessoa. Ela representa tudo o que eu acho belo e criativo.”

A cantora também reuniu nomes como Letícia Fialho, Cabruêra, MC Tati, o Grupo Ofá e Alceu Valença, convidados que, segundo ela, surgiram naturalmente conforme as composições evoluíam.

Além da música, Anitta apostou novamente em um projeto audiovisual de grande porte. Os visuais que acompanham o álbum foram pensados como uma extensão da narrativa sobre autoconhecimento e, segundo ela, devem ganhar adaptações para a próxima turnê.

“O show vai ser uma experiência bem imersiva. Claro que não dá para reproduzir toda a riqueza dos vídeos no palco, mas vamos trazer a essência do projeto, tanto visualmente quanto na parte sonora.”

Ela admite, porém, que produções desse tamanho dificilmente se tornarão frequentes.

“É um investimento muito alto e hoje o mercado não garante esse retorno imediato. Sempre que eu tiver uma mensagem em que realmente acredite, vou tentar fazer algo assim, mas não é um projeto simples de repetir.”

Mesmo diante das dúvidas de parte do público após o lançamento de “Funk Generation”, Anitta afirma que ficou surpresa com a recepção positiva ao novo trabalho, marcado por referências à cultura brasileira e por uma abordagem mais introspectiva.

“O mais difícil para um artista é mudar completamente a linguagem. As pessoas gostam do que já conhecem e têm dificuldade de acompanhar mudanças. Eu não imaginava que fossem enxergar tanta verdade nesse projeto.”

Para ela, ” Equilibrium 2″ é o trabalho que melhor sintetiza quem ela é hoje. “O ‘Funk Generation’ mostrava uma parte de mim. Agora eu sinto que as pessoas conseguem ver todas as minhas versões: a brincalhona, a sensual, a debochada, mas também a profunda. Pela primeira vez, me sinto realmente vista por dentro.”