RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O PL oficializou a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas ao Governo do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (24), sem anunciar candidato a vice nem a chapa completa para o Senado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em São Paulo para a convenção nacional do partido que acontece neste sábado (25), falou por telefone com os correligionários.
“O nosso Rio de Janeiro hoje está sequestrado por narcoterroristas, pessoas que só pensam em projeto de poder. Não podemos permitir que haja um bunker do PT. Destruíram a cidade e não podem destruir o estado”, disse o pré-candidato a presidente.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também falou por ligação. “Jair mandou dar um abraço para cada um e pediu para que vocês não desistam, porque ele não desistiu.”
A crise entre Flávio e Michelle, instalada quando a ex-primeira-dama afirmou em vídeo ter sido desrespeitada pelo senador, foi publicamente atenuada na quinta (23), após Flávio divulgar vídeo em que pediu desculpas a ela. Michelle respondeu em outro vídeo, aceitando as desculpas e indicando apoio ao enteado.
“Foi um gesto de humildade de Flávio e Michelle. Pedi aos correligionários esse espírito de união mostrado pelos dois”, disse Douglas Ruas em entrevista a jornalistas durante a convenção.
Ele afirmou que pretende “reduzir significativamente” o número de secretarias do governo, caso eleito. “Não há que se falar em mais de 22 secretarias, em hipótese alguma”, afirmou, ao ser lembrado por jornalistas de que gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), do seu partido, teve 32 secretarias.
Ruas foi secretário de Cidades do governo Castro. O governador interino Ricardo Couto, que é desembargador do Tribunal de Justiça, tem atuado na extinção e redução de secretarias e na exoneração de nomeados para cargos comissionados o volume de exonerações já se aproxima dos 5.000.
“Podemos ter a máquina enxuta, com menos despesa de custeio e maior capacidade de investimento em infraestrutura e que gere emprego e renda”, disse o postulante do PL.
Ruas, 37, é o atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), ele acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para assumir o Palácio Guanabara na linha sucessória após a saída de Castro e a vacância no cargo, mas a corte ainda não decidiu o formato da sucessão.
São Gonçalo é o segundo município mais populoso do estado e o terceiro maior colégio eleitoral.
O candidato do PL nacionalizou o debate durante a convenção, ao afirmar que a população fluminense “não quer o candidato do PT no Governo do Rio”. O ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) é seu principal concorrente.
A indefinição de vice na pré-campanha bolsonarista fluminense é consequência do baque sofrido no último domingo (19), quando o então pré-candidato a vice, Rogério Lisboa (PP), anunciou saída da chapa.
A federação União Brasil-PP segue na coligação, mas não indicou novo nome, e o PL chegou à convenção desta sexta com a lacuna a preencher.
A convenção confirmou a candidatura do senador Carlos Portinho (PL) ao Senado, mas a outra vaga tem indefinições. O ex-prefeito de Belford Roxo Marcio Canella (União) disse nesta sexta que manterá candidatura a senador, mas a campanha depende do desenrolar de investigações da PF (Polícia Federal).
Canella foi alvo este mês de operação que investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis. Ele chegou a ser preso em flagrante por porte ilegal de arma, após um fuzil ter sido encontrado em seu carro. O ex-prefeito ficou quatro dias preso e foi solto após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que cobrou explicações sobre a origem do fuzil.
Nesta sexta, Moraes revogou o uso de tornozeleira eletrônica por Canella.
“A gente faz política honrando a palavra e nós temos a palavra dos líderes dos partidos de que a federação vai ficar conosco. Mas se a federação tomar outro caminho, a gente toma outro caminho”, afirmou o deputado Altineu Cortes (RJ), presidente estadual do PL.
O plano do PL para o governo do estado tem derretido desde o ano passado, quando o principal cotado a concorrer, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso em dezembro sob acusação de vazar operações para suspeitos de envolvimento com o Comando Vermelho.
Outro plano interrompido foi a candidatura do ex-governador Cláudio Castro ao Senado. Castro foi enfraquecido pela inelegibilidade determinada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele foi condenado por abuso de poder econômico.
Na chapa para governador, o movimento de desembarque do PP se deu conforme a tendência de neutralidade da legenda na esfera nacional. O desembarque de Lisboa da candidatura de Ruas, contudo, já era esperado por parte da legenda.
Ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lisboa pouco apareceu a agendas públicas, e o presidente do diretório estadual, deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), não entrou na pré-campanha por ser próximo de Eduardo Paes.
O PL encabeça coligação no Rio com a federação União-PP, além dos partidos Agir, Avante e Mobiliza.
O ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos), pré-candidato a deputado por Minas Gerais, esteve na convenção. O ex-presidente da Câmara apoia Flávio Bolsonaro.



