SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a autoridade monetária se comporta mais como um “transatlântico” do que um “jet ski” e, por isso, evita reações “nervosas” ou “tempestivas” a indicadores isolados na condução da política monetária.
Segundo Galípolo, o cenário atual ainda exige uma política monetária restritiva. Ele afirmou que os efeitos da taxa Selic sobre a economia têm se intensificado gradualmente, o que demanda o acompanhamento de um conjunto amplo de indicadores antes da definição dos próximos passos da política monetária.
As declarações foram feitas durante um painel na Expert XP, festival de investimentos promovido pela XP Investimentos, em conversa com o economista-chefe da instituição, Caio Megale.
O mercado acompanha as declarações de Galípolo em busca de sinalizações sobre os próximos passos da política monetária. O BC reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, na última reunião do Copom, e indica que as próximas decisões seguirão dependentes da evolução do cenário econômico.
Ao comentar o funcionamento do crédito no país, Galípolo afirmou que, assim como existem “coisas muito legais” que só existem no Brasil, como a jabuticaba, há também características da economia brasileira que precisam ser revistas. Como exemplo, citou o parcelamento sem juros no cartão de crédito e a modalidade conhecida como “à vista no crédito”.
Ainda segundo o presidente do BC, cerca de 60 milhões de brasileiros utilizam o cartão sem pagar juros, seja em compras à vista ou parceladas, enquanto aproximadamente 40 milhões recorrem ao crédito rotativo, pagando juros em torno de 15% ao mês. Na avaliação dele, esse grupo acaba financiando o benefício concedido aos demais usuários.
Galípolo acrescentou que uma parcela relevante do crédito no país, especialmente o rotativo do cartão, é pouco sensível às mudanças da taxa Selic. Por isso, afirmou que o endividamento das famílias e o funcionamento desse mercado exigem uma análise estrutural e não podem ser explicados apenas pela política monetária.



