RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – Um vendaval seguido de forte chuva causou uma morte, destelhamento de imóveis, queda de árvores e interrompeu o fluxo de veículos em algumas das principais vias de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo). As aulas nas escolas da rede municipal foram suspensas, cirurgias foram canceladas e o principal hospital de emergência da região paralisou o recebimento de pacientes na manhã desta sexta-feira (24).
A tempestade com ventos de pelo menos 121 km/h, registrados na estação meteorológicca de Pradópolis, na região metropolitana de Ribeirão, teve início por volta das 5h30 e, até as 10h, o Corpo de Bombeiros já tinha recebido 250 chamados, a maioria deles ligado à queda de árvores e galhos pelas vias da cidade.
Também houve estragos em outros municípios da região, como Sertãozinho, Guariba, Pradópolis, Dumont e Taquaritinga.
Semáforos inoperantes na maior parte da cidade pelo menos 50 nas principais vias, falta de energia elétrica em algumas regiões devido à queda de galhos e árvores, instabilidade em sistemas de dados de celulares e o uso de gerador para manter hospitais em funcionamento são alguns dos reflexos da tempestade, que a prefeitura associou ao fenômeno climático El Niño.
Um idoso de 90 anos morreu após um desabamento no bairro Jardim Salgado Filho. Há ao menos mais uma pessoa ferida na cidade.
Sem energia elétrica, as bombas dos poços artesianos que abastecem a cidade estão sem funcionar. Ao menos um terço da cidade, de 731 mil habitantes, está sem água. A prefeitura pediu que os moradores economizem água.
Em uma reunião do comitê de crise acompanhada pela imprensa, a concessionária CPFL informou que o cenário é grave por não se restringir a problemas internos, como quedas de árvores na fiação elétrica, e sim por atingir linhas de transmissão que alimentam a cidade.
Segundo a concessionária, 3 das 14 subestações que abastecem o município estão desligadas por conta de falhas nas linhas de transmissão. Foram mobilizadas equipes que atuam em Piracicaba, Bauru, Araraquara e São Carlos para socorrer Ribeirão e restabelecer os serviços.
Numa reunião emergencial com a Defesa Civil, prefeitura e concessionárias que atuam na cidade, o prefeito Ricardo Silva (PSD) decretou situação de emergência. “Temos comunidades inteiras que foram atingidas de forma bem dura”, disse.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse por meio de uma ligação telefônica durante a reunião lamentar a morte do idoso e que acompanha os problemas registrados em todas as cidades da região.
“Tivemos ventos muito fortes, que superaram 120 quilômetros por hora, alguns lugares chegou a 130 quilômetros por hora, tivemos cidades bastante afetadas, como Taquaritinga, Pradópolis e Guariba e a gente está acompanhando os estragos, toda a situação envolvida”, disse. Segundo ele, as prefeituras estão sendo orientadas sobre decretos de emergência, a exemplo de Ribeirão, e levantar os estragos todos.
Segundo a Prefeitura de Ribeirão Preto, as condições meteorológicas registradas são compatíveis com o comportamento climático associado ao El Niño, com chuvas irregulares, mas concentradas e de forte intensidade.
SAÚDE SEM LEITOS
No Hospital Santa Lydia, uma árvore caiu e bloqueou a rua de acesso à unidade hospitalar, que também foi invadido pela enxurrada. O local está operando com gerador de energia elétrica.
Já a unidade de emergência do HC (Hospital das Clínicas), vinculado à FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), da USP (Universidade de São Paulo), sofreu interdição temporária para o recebimento de pacientes após ser “fortemente atingida” pelo vendaval, segundo balanço divulgado pela prefeitura.
Houve o desabamento de parte do teto da sala de emergência e não há condições de receber pacientes, segundo o secretário da Saúde de Ribeirão, Mauricio Godinho. Ele afirmou que o HC Campus o maior suspendeu cirurgias eletivas nesta sexta-feira e a prefeitura está tentando obter leitos de sobreaviso, já que o vendaval atingiu de forma severa toda a rede pública de saúde.
“A Saúde talvez seja a área mais afetada […] Só temos 13 leitos na emergência da UPA para garanir no momento”, disse. A Beneficência Portuguesa também não tem condições de receber pacientes e a Santa Casa de Ribeirão funciona com gerador, também após suspender cirurgias eletivas.
Entre as vias com bloqueio para o tráfego de veículos estão a Nove de Julho, a Dom Pedro e a Francisco Junqueira, algumas das principais da cidade, que vive uma manhã de caos no trânsito.
Sem condições de funcionar devido a estragos e à falta de energia, 23 escolas municipais suspenderam as aulas nesta sexta, entre elas Professor Salvador Marturano (Parque Ribeirão Preto), Professor Alfeu Luiz Gasparini (Angerami) e Professora Maria Ignêz Lopes Rossi (Jardim Manoel Penna).
Segundo a Prefeitura de Ribeirão Preto, as condições meteorológicas registradas são compatíveis com o comportamento climático associado ao El Niño, com chuvas irregulares, mas concentradas e de forte intensidade.
Num intervalo de somente 20 minutos, foram registrados 24 mm de chuva, volume classificado pela Defesa Civil de Ribeirão como muito forte. Até a madrugada desta sexta, a cidade tinha registrado somente 1 mm de precipitação pluviométrica em julho.
Equipes da Defesa Civil, da GCM (Guarda Civil Metropolitana), da RP Mobi (trânsito), Corpo de Bombeiros e secretarias municipais estão nas ruas em busca de desobstruir as vias e restabelecer os serviços essenciais.
Na avenida Antônio e Helena Zerrener, a estrutura de um centro de treinamento desabou. Já na avenida Caramuru, a fachada de um estabelecimento comercial desabou.
A Estre Ambiental informou que, em decorrência do temporal as coletas de resíduos domiciliares e seletiva sofrerão atrasos pontuais nesta sexta-feira, pela dificuldade de deslocamento de equipes e dos caminhões da operação pelas vias da cidade.



