RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quinta-feira (23) o bloqueio de até R$ 135,2 milhões da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, da Axor Asset e dos diretores da gestora Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues.

As instituições e os executivos são citados pela Justiça como réus em uma ação movida pelo Estado do Rio de Janeiro para tentar reaver o prejuízo de um investimento do Rioprevidência em um fundo ligado ao Banco Master, o Texas I Fia.

O Rioprevidência é o órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. A decisão que determinou o bloqueio é assinada pelo juiz Wladimir Hungria, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense.

Segundo a ação judicial, o Rioprevidência realizou, de 4 de junho a 8 de agosto de 2025, um aporte de R$ 150 milhões no fundo Texas I Fia, cuja carteira estava exposta, quase em sua totalidade, às ações da Ambipar.

Os papéis sofreram forte desvalorização, e o saldo teria sido reduzido a R$ 14,8 milhões. Com isso, o prejuízo é calculado em cerca de R$ 135,2 milhões.

Em sua decisão, o juiz responsável acatou os argumentos dos autores da ação, que apontaram a responsabilidade da Trustee na compra “massiva e coordenada” de papéis da Ambipar em nome de fundos geridos por ela, incluindo o Texas I Fia. A gestora nega envolvimento.

A oferta da carteira de títulos ao Rioprevidência teria sido feita pela Axor Asset, conforme as informações do processo.

A Trustee disse à reportagem que deixou a administração e a gestão do Texas I Fia em outubro de 2024. A empresa afirmou que vai recorrer da decisão.

Segundo a instituição, o Rioprevidência adquiriu cotas somente a partir de junho de 2025, cerca de oito meses depois, quando o fundo já estava sob responsabilidade de outros prestadores.

“As ações da Ambipar mencionadas na decisão haviam sido adquiridas em julho de 2024, quase um ano antes do ingresso do Rioprevidência”, disse.

“Portanto, a Trustee não vendeu cotas ao Rioprevidência, não participou da decisão de investimento do instituto e não administrava nem geria o fundo quando os aportes foram realizados”, acrescentou.

A reportagem não conseguiu localizar os contatos da Axor até a publicação deste texto. A reportagem procurou por email na manhã desta sexta-feira (24) a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não teve retorno.

A decisão judicial também determinou que o administrador da Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, apresente parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Texas I Fia em até 15 dias.

O Rioprevidência virou alvo de investigações da PF (Polícia Federal) por investimentos bilionários em ativos ligados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL).

Castro renunciou ao cargo de governador em março e foi substituído de modo interino pelo desembargador Ricardo Couto.

A gestão de Couto tem anunciado trocas de nomes e mudanças na estrutura do Rioprevidência após a explosão do escândalo do Master.