SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Mensagens mostraram que o CEI (Centro de Educação Infantil) Luz do Brás, na Mooca, avisou a familiares de Abdoulaye Dieng, morto após acidente na creche, que ele havia “passado mal”.

“O Abdoulaye passou mal”, enviou a instituição ao pai dele às 9h17 na quarta-feira. Na sequência, a direção informou que estava levando o aluno, de 1 anos e quatro meses, para a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Mooca -mostrou uma troca de conversas entre as partes, da qual o UOL teve acesso.

Pai do bebê, de origem senegalesa, teria ligado no mesmo minuto para os funcionários. O registro mostra uma ligação de apenas 30 segundos, onde teriam dito que “apenas um acidente” havia ocorrido, diz a família. Às 9h44, 26 minutos depois, a escola envia outra mensagem: “Olá, vocês estão indo para a UBS?”.

Segundo dados médicos, 9h44 foi também o horário que o menino chegou na unidade. A equipe do local registrou que o paciente deu entrada em parada cardiorrespiratória, tendo sido submetido a manobras de ressuscitação, intubação orotraqueal e acessos venosos.

Genitor de Abdoulaye chegou à UBS por volta de 10h, enquanto o atestado de óbito do filho foi dado às 10h44. A médica responsável também informou, no relatório, asfixia como sendo a causa provável da morte.

Defesa da família argumenta que o CEI não comunicou devidamente a gravidade da situação. “Quem vai pensar algo pior? Tratou como se ele tivesse uma febre ou algo do tipo”, falou o advogado Erson de Oliveira.

Oliveira também alega que funcionários participavam de uma confraternização pelo aniversário da diretora do Centro no momento que menino se acidentou. Segundo ele, isso teria deixado as crianças sem supervisão. O UOL constatou, por meio do boletim de ocorrência, que o dia do acidente corresponde à data de nascimento da dirigente, mas ainda não pôde apurar paralelamente a respeito da festa.

O CEI foi procurado nesta manhã para comentar a respeito das mensagens e da confraternização. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.

O bebê prendeu a cabeça em uma grade da creche. Segundo a TV Globo, imagens obtidas pela polícia mostram o bebê em uma sala multiuso da escola brincando com outras crianças. Em determinado momento, ele deitou no chão e colocou a cabeça entre uma barra de ferro e um espelho fixado na parede. O menino tentou se desprender do espaço, onde ficou preso por cerca de seis minutos.

Ele foi retirado somente quando as monitoras retornaram para a sala. Elas levaram o menino para o socorro e chamaram também policiais militares que faziam o patrulhamento na região.

O caso foi registrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) no 8ºDP (Brás). A Polícia Civil pediu exames ao IML (Instituto Médico Legal) e ao IC (Instituto de Criminalística), além de fazer diligências para elucidar o caso.

Cinco funcionários da creche, incluindo a diretora e a coordenadora, são investigados. Ninguém foi preso até o momento.

Secretaria Municipal de Educação disse lamentar a morte da criança e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. De acordo com a pasta, equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem estão prestando suporte à família. “A Secretaria colabora integralmente com as investigações e adotará todas as providências cabíveis após a conclusão da apuração dos fatos.”