SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A fabricante franco-italiana ATR, responsável pelo modelo ATR 72-500, adotou atualizações em sistemas de segurança e orientações de manutenção após a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.
Segundo o relatório, a fabricante implementou alterações a partir de recomendações feitas pelo Cenipa à Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), responsável pela certificação da aeronave. Uma das recomendações trata da revisão, em conjunto com a ATR, do sistema “Degraded Performance”, utilizado em situações de perda de desempenho provocada pelo acúmulo de gelo na aeronave, cenário identificado durante o acidente de Vinhedo.
O Cenipa também recomendou aprimoramentos no modo “low bank”, que limita a inclinação das asas durante curvas em condições de formação de gelo. Outra sugestão é que o alerta “increase speed”, atualmente classificado como um aviso de atenção, passe a ser um alerta de advertência, com maior destaque visual, em vermelho.
O relatório ainda recomenda ampliar as informações registradas pelo gravador de dados de voo (FDR), incluindo falhas no sistema de degelo e o acionamento do “stick pusher”, dispositivo que empurra automaticamente o manche para reduzir o ângulo de ataque e evitar a perda de sustentação. Durante a apresentação do relatório, os investigadores informaram que caberá à Anac acompanhar o cumprimento das recomendações encaminhadas à EASA.
O Cenipa divulgou nesta quinta-feira (23), em Brasília, o relatório final sobre o acidente com o ATR 72-500 da Voepass, que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. A investigação concluiu que a tragédia não foi causada por um único fator, mas por uma sequência de falhas operacionais, de manutenção e de supervisão.
Segundo os investigadores, a aeronave apresentava problemas relacionados ao sistema de proteção contra formação de gelo (airframe icing) antes do voo. O tenente-coronel Paulo Fróes afirmou que não houve registro, pela tripulação, de uma ocorrência envolvendo esse sistema no dia anterior ao acidente, quando o avião havia operado outro voo.
O problema também não foi registrado no diário de bordo nem gerou o acionamento do sistema de alerta previsto para esse tipo de falha. O relatório aponta que três tripulações diferentes operaram a aeronave nos dias anteriores ao acidente sem registrar as anomalias identificadas. A investigação também identificou a prática de troca de componentes entre aeronaves da frota quando eram detectadas falhas, além da omissão de registros de panes por pilotos e mecânicos para evitar a indisponibilidade dos aviões.
Outro ponto destacado é que a aeronave apresentava falha no limpador do para-brisa, item que, segundo o relatório, impediria sua liberação para voo. Os pilotos também tinham conhecimento da previsão de condições severas de formação de gelo na rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) e da possibilidade de enfrentar dificuldades no sistema antigelo.



