SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Está sendo velado nesta manhã o corpo do empresário Marcelo Magalhães de Almeida, 31, que foi sequestrado e morto em Carapicuíba (SP) após ser atraído para uma emboscada.

A cerimônia teve início às 8h e deve ir até às 12h, quando o sepultamento começará, em Carapicuíba. As informações foram confirmadas ao UOL por uma amiga, que pediu para que o endereço não fosse divulgado devido à “privacidade da família” neste momento.

“Esperança deu lugar ao luto”, escreveu outra pessoa do ciclo de amigos da vítima. Em publicação nas redes sociais, ela disse que, durante os últimos dias, insistiam em acreditar que o Marcelo seria encontrado vivo. “Infelizmente, hoje recebemos a notícia que ninguém queria receber”, acrescentou.

Corpo do empresário foi localizado ontem às margens do rio Cotia, entre Jandira e Carapicuíba, no sétimo dia de buscas pela vítima. A informação foi confirmada pela Polícia Militar e Polícia Civil. Familiares que acompanhavam as buscas reconheceram o corpo como sendo o de Magalhães.

As buscas começaram na sexta-feira (17). Elas continuaram ao longo desta semana com o uso de recursos especializados para varredura da área de mata. A ação contou com equipes do 33º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, do Canil do 5º BAEP, apoio do Canil da Guarda Civil Municipal, drones e do helicóptero Águia PM, equipado com câmera de imagem térmica.

Três suspeitos de envolvimento no crime estão presos e um está foragido. A polícia acredita que ele foi atraído para o local do crime por um amigo.

Marcelo estava desaparecido desde o dia 16 de julho, quando foi visto acompanhado de um amigo em um bar. Os dois estariam bebendo em um estabelecimento, localizado na Estrada da Fazendinha, em Carapicuíba. Em seguida, Marcelo teria deixado o local sozinho.

O homem que estava com ele no bar antes do desaparecimento prestou depoimento à polícia. Ele afirmou que o empresário era um grande amigo e que, após beberem juntos, Magalhães disse que iria para casa.

O carro do empresário, uma Land Rover Velar branca blindada, foi localizado abandonado na rua das Andorinhas. Imagens de câmeras de segurança mostram o empresário saindo do bar. Por volta das 22h50 do mesmo dia, um homem aparece abandonando o carro da vítima. Ele vestia blusa preta, capuz azul e calça jeans. De acordo com o boletim de ocorrência, o homem saiu correndo logo após deixar o veículo. Foi um morador que ligou para a polícia e denunciou o abandono do automóvel. A polícia encontrou marcas de chinelo no capô e no para-brisa do veículo.

Ele foi sequestrado e morto em Carapicuíba, segundo a principal linha de investigação da polícia. Durante o período em cativeiro, o empresário foi obrigado a realizar transferências de R$ 8.000 para os criminosos, que gravaram vídeos antes de matar empresário.

A polícia encontrou um vídeo do empresário amordaçado e deitado em uma cama. Em outro vídeo, um dos criminosos aparece empunhando uma faca na frente do carro do empresário. Nas imagens, que estavam no celular de um dos suspeitos presos, um homem admite que sequestrou e matou o empresário: “Sequestro, caixote. Nós é bigode e faz acontecer. Sequestro, homicídio. Já era filhão”, diz no vídeo.

Amigo que teria atraído Magalhães foi identificado como Lucas Soares de Lima. O delegado Fabiano Barbeiro explica que a vítima costumava ajudar financeiramente Lucas, mas teria decidido parar com os repasses.

Lucas, de apelido ‘Quadrado’, é o mentor do crime, segundo o inquérito. Ele sequestrou Magalhães com ajuda de seu irmão Paulo Sérgio Soares de Almeida e do amigo Júlio César Moura Batista. “Existia um relacionamento de amizade entre eles, de longa data. E essa promessa de dinheiro foi feita, algumas ajudas foram passadas a ele, mas por conta da cessação dessas ajudas por parte do Marcelo, Lucas resolveu acabar com a vida do Marcelo. Ele tomou a iniciativa e reuniu os demais indivíduos”, disse o delegado ao SBT.

Empresário teria prometido dar um apartamento para Lucas. O delegado conta que eles estudaram juntos na mesma escola. “O foco era tirar a vida do Marcelo, matar ele já estava no plano deles”, disse Barbeiro.

O imóvel onde a vítima teria sido mantida passou por perícia. A polícia encontrou marcas de sangue e enviou vestígios para exame.