SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Espanha e Marrocos mantêm estudos para a construção de um túnel submarino sob o Estreito de Gibraltar. A megaestrutura promete reduzir o tempo de travessia entre os continentes para cerca de 30 minutos.
O projeto pretende conectar Europa e África por meio de um túnel ferroviário. O trajeto, segundo a Sociedade Espanhola de Estudos para a Comunicação Fixa através do Estreito de Gibraltar (SECEGSA), transportará passageiros e cargas em trens diretos ou em composições especiais projetadas para embarcar carros, caminhões e motos.
A previsão é que o trajeto total tenha cerca de 60 km e profundidade de até 475 metros abaixo do nível do mar. As projeções técnicas da SECEGSA, ligada ao Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável da Espanha, apontam que, do total de galerias, cerca de 28 km ficarão escavados estritamente abaixo do fundo do mar. Ainda haverá cerca de 10,5 km de túnel terrestre, além dos acessos rodoferroviários e as estações terminais em ambos os lados que conectam o túnel às redes nacionais.
O túnel deverá ligar a região de Tarifa, na Espanha, a Tânger, no Marrocos. A principal aposta técnica indica que a rota passará pelo Umbral de Camarinal, uma elevação subaquática no Estreito de Gibraltar que separa as bacias do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo. A opção é a única com profundidade viável, de acordo com os estudos.
A estrutura interna terá três galerias interconectadas. Segundo dados da SECEGSA, a engenharia prevê dois tubos principais para trens de alta velocidade e uma galeria central de emergência conectada aos demais a cada 340 metros.
Em março deste ano, o governo espanhol aprovou novas verbas para dar continuidade aos estudos técnicos do projeto. O novo repasse de 1,73 milhão de euros elevou o investimento total para cerca de 9,61 milhões de euros desde 2022, segundo o jornal Hespress, de Marrocos.
A previsão mais realista aponta para a inauguração entre 2035 e 2040. De acordo com documentos oficiais publicados pela SECEGSA, a fase de perfuração de uma galeria exploratória prévia levará até nove anos, o que inviabiliza a conclusão da obra a tempo da Copa do Mundo de 2030, que terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais.
A travessia atual entre Espanha e Marrocos depende de balsas e ferry boats. A viagem pelo Estreito de Gibraltar leva de 60 a 90 minutos nas rotas mais rápidas -Algeciras ou Tarifa a Tânger, ambas via ferry boat.



