SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após a surpreendente eliminação da Alemanha para o Paraguai na primeira pernada do mata-mata da Copa do Mundo de 2026, o treinador Julian Nagelsmann foi duramente criticado pela imprensa alemã, que apontou os dedos para uma suposta falta de intensidade e personalidade dos jogadores durante a partida em Boston.
Como resposta à terceira eliminação precoce a equipe caiu ainda na fase de grupos nos Mundiais de 2018, na Rússia, e de 2022, no Qatar, a DFB (Deutscher Fußball-Bund, a federação alemã de futebol) demitiu Nagelsmann antes mesmo do fim do torneio da Fifa.
Nesta sexta-feira (24), a federação anunciou a contratação de Jürgen Klopp, um dos principais treinadores de clubes no século 21, na tentativa de reverter o quadro e conseguir um resultado melhor em 2030. “É o auge da minha carreira, da minha vida, da minha vida profissional. Vou dar tudo de mim”, disse.
Nascido em Stuttgart, na então Alemanha Ocidental, em 16 de junho de 1967, o treinador de 59 anos começou sua carreira de técnico em meados de 2001, no Mainz 05, modesto clube em que atuou durante a maior parte da carreira como jogador.
À frente da equipe da segunda divisão alemã, começou a implementar seu método de trabalho que ficaria popularmente conhecido como “gegenpressing”, estratégia de pressão intensa logo após a perda da bola ainda no campo de ataque, muitas vezes tirando proveito da desorganização da defesa adversária.
A ideia é transformar a perda de posse em uma oportunidade de recuperar rapidamente a bola e criar uma nova chance de gol.
O conceito não demorou muito tempo para dar os primeiros resultados. Na temporada 2003/04, Klopp guiou o Mainz 05 ao seu primeiro acesso à elite do futebol alemão.
Na temporada seguinte, conseguiu fazer com que o time de orçamento bastante limitado em comparação com os gigantes da Bundesliga terminasse na 11ª colocação.
De quebra, ainda conseguiu classificar a equipe à Copa da Uefa (atual Liga Europa), a primeira competição continental do Mainz 05, que tornou-se na época uma das equipes mais admiridas do futebol alemão por seu estilo de jogo ofensivo.
O clube acabaria novamente rebaixado na temporada 2006/07, sem que Klopp conseguisse o acesso no ano seguinte, com o treinador optando então por não renovar seu vínculo.
Seu trabalho à frente do Mainz 05 atraiu a atenção dos principais clubes da Alemanha e, em 2008, o treinador que também acabou ficando conhecido pelo carisma e pelo bom-humor em suas entrevistas antes e depois das partidas assinou com o Borussia Dortmund.
Contando com um elenco com uma série de jovens promissores que ainda viriam a ganhar notoriedade no futebol europeu e mundial um pouco mais à frente casos de İlkay Gündoğan, Mario Götze e Robert Lewandowski, Klopp encerrou um jejum que já durava quase uma década, com a conquista do bicampeonato da Bundesliga, nas temporadas 2010/11 e 2011/12.
Na temporada 2012/13, ainda levou o Borussia até a final da Champions League, deixando pelo caminho Real Madrid, Manchester City e Ajax. Na final, acabou superado pelo Bayern de Munique por 2 a 1, no Wembley, em Londres.
Com o Borussia, Klopp também conquistou a Copa da Alemanha (na temporada 2011/12), além de dois títulos da Supercopa da Aleanha (2013 e 2014).
Sua última partida à frente do clube de Dortmund foi a final da Copa da Alemanha de 2015, que perdeu por 3 a 1 para o Wolfsburg.
Em outubro de 2015, foi anunciado como o novo treinador do Liverpool, da Premier League inglesa.
Klopp marcaria época nos “Reds”, consolidado o “gegenpressing” que havia implementado no início do século no Mainz 05, mas agora com uma geração de jogadores das mais fortes da história recente do time inglês, com nomes como Mohamed Salah, Sadio Mané, Roberto Firmino, Virgil van Dijk, Alisson e Trent Alexander-Arnold.
Passando a protagonizar na Inglaterra uma das maiores rivalidades entre técnicos do futebol com Pep Guardiola, no Manchester City, o técnico alemão logo levou o Liverpool aos títulos da Champions League, na temporada 2018/19, com vitória sobre o Tottenham na decisão, e da Premier League, na temporada 2019/20, pondo fim a um jejum de 31 anos sem o título de campeão inglês.
Pelo time de Liverpool, Klopp também conquistou o Mundial de Clubes da Fifa (2019), batendo o Flamengo de Jorge Jesus e Gabigol na final, a Supercopa da Uefa (2019), e a Copa da Liga Inglesa (2021/22 e 2023/24), além da Copa da Inglaterra (2021/22) e da Supercopa da Inglaterra (2022).
Em janeiro de 2024, o treinador surpreendeu o mundo do futebol ao anunciar sua saída do Liverpool ao final da temporada. Embora com contrato até 2026, Klopp alegou na ocasião estar “ficando sem energia”.
“Eu amo absolutamente tudo sobre este clube, amo tudo sobre a cidade, amo tudo sobre nossos torcedores, amo a equipe, amo a equipe técnica. Mas o fato de eu ainda tomar essa decisão mostra que estou convencido de que é a decisão que tenho que tomar”, afirmou.
Um ano depois, em janeiro de 2025, Klopp foi anunciado como o novo diretor global da Red Bull, passando a supervisionar a rede multiclubes da marca de bebidas energéticas, que conta com o RB Bragantino, no Brasil, o RB Leipzig, na Alemanha, e o New York Red Bulls, nos Estados Unidos, entre outros.
Pouco após assumir a nova função, porém, o treinador teria demonstrado insatisfação por suposamente não ter se adaptado ao cargo de executivo de futebol, longe do dia a dia das equipes.
Embora nunca tenham sido confirmados oficialmente, os rumores passaram a alimentar especulações crescentes sobre a possibilidade de um retorno ao posto de técnico à beira do campo, confirmado no último dia 11, quando a DFB anunciou um acordo prévio com o treinador.
Klopp segue agora os passos de outros técnicos vitoriosos em clubes que aceitaram o desafio de dirigir seleções nacionais que sofrem com o jejum de títulos.
O italiano Carlo Ancelotti e o alemão Thomas Tuchel, no entanto, fracassaram ao tentar levar Brasil e Inglaterra ao título mundial na Copa do Mundo de 2026 na América do Norte.



