SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) assumiu nesta sexta-feira (24) a operação das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, e os ramais funcionam normalmente nesta manhã.
O órgão da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) volta a operar as linhas por, no mínimo, 90 dias, conforme determinação da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).
“A CPTM informa que está plenamente preparada, com todas as condições técnicas e operacionais necessárias, para reassumir temporariamente a operação das linhas. A companhia reafirma seu compromisso com a mobilidade e a segurança dos passageiros”, afirmou a CPTM.
A concessionária Trivia Trens operava os ramais sob supervisão da Artesp desde terça-feira (21) e apresentou falhas sequenciais. A de quinta-feira (23) foi a mais grave, quando houve fogo em uma composição, causando a paralisação das três linhas e gerando caos no transporte público, com passageiros andando sobre os trilhos. A situação impactou o metrô, aumentou o trânsito na zona leste e fez com que a gestão Ricardo Nunes (MDB) suspendesse o rodízio de veículos.
Tarcísio disse que poderá decretar caducidade (rompimento) na concessão da Trivia Trens se a empresa não conseguir cumprir o que está previsto em contrato.
Em entrevista nesta quinta-feira (23) em Ourinhos, no interior de São Paulo, ele chamou de inaceitável a falha que provocou caos no transporte metropolitano nesta quinta.
Em nota, a Trivia Trens afirmou que a ocorrência teve origem em um problema elétrico em uma composição da linha 12-safira, entre as estações Tatuapé e Brás, por volta das 5h40. A causa está sob apuração técnica rigorosa, segundo a empresa.
A responsável pelas linhas afirma que mantém diálogo com o governo do estado e a Artesp. “A concessionária reitera sua capacidade técnica e operacional para gerir as linhas, estando integralmente à disposição para atuar em cooperação com o Poder Concedente, sempre priorizando a segurança e a prestação do serviço de qualidade à população”, declarou.
O leilão que definiu a concessão das linhas ocorreu em março de 2025 e foi vencido pelo grupo Comporte Participações, criado por Nenê Constantino, da família fundadora da companhia aérea Gol.
A Trivia é a holding do grupo empresarial voltada ao setor de transporte, principalmente rodoviário. Os investimentos previstos nas linhas 11, 12 e 13 são de R$ 14,3 bilhões, previstos para os 25 anos de concessão.
O contrato prevê a construção de estações e extensões das linhas. Pelo contrato, a Trívia também ficará responsável pela manutenção das 92 composições outros 15 trens serão incorporados à frota de forma gradual.
Em maio, a Trivia Trens disse ter contratado 62% do valor de investimentos para a concessão. Isso representa R$ 8,8 bilhões do total.
A concessão de linhas da CPTM à iniciativa privada foi uma das principais promessas de campanha de Tarcísio de Freitas, em 2022, que agora tenta a reeleição. Atualmente, apenas a linha 10-turquesa permanece sob operação da CPTM.
Ao ser questionado se se arrependia de ter feito a concessão, ele disse que não. “Agora, óbvio, se a empresa não conseguir cumprir com aquilo que está previsto em contrato, ela vai ter as sanções e a gente não vai hesitar em algum momento de tirar a empresa do contrato e decretar caducidade.”



