SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (23) que o governo vai apoiar os empresários que perderem exportações para os Estados Unidos após a imposição de novas tarifas ao Brasil.
Segundo Durigan, serão linhas de crédito para capital de giro e para negócios que precisam mudar sua produção para tentar acessar novos mercados. Nesta semana, o governo Lula (PT) anunciou R$ 18,5 bilhões em recursos para ajudar empresas afetadas como parte do plano Brasil Soberano.
A entrevista à BandNews ocorreu momentos após o governo dos EUA anunciar a nova rodada de sobretaxas. Desta vez, o Brasil foi atingido com uma alíquota de 12,5%.
Na semana passada, começou a vigorar uma tarifa de 25% após investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas. O ministro disse que, com o anúncio desta quinta-feira, que mira 60 parceiros comerciais, os EUA passam a tarifar 99% de suas importações.
“Isso me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior que caiu na Suprema Corte dos EUA. O próprio presidente [Donald] Trump disse então que daria um jeito, e deram um jeito. Não tem justificativa”, disse.
A tarifa de 12,5% entra em vigor nesta sexta (24), mesmo dia da expiração da vigência da cobrança global anterior de 10%.
DÍVIDA PÚBLICA E INCENTIVOS FISCAIS
Ao ser perguntado sobre a trajetória da dívida pública, o ministro afirmou que o aumento da relação entre a dívida e o PIB tem sido causado pelos juros, não pelo resultado primário de receitas menos gastos do governo.
Ele afirmou que alguns aspectos da economia brasileira vão bem, mas que os juros em patamares altos ainda são um problema. A trajetória de alta da dívida, afirmou ele, deverá começar a cair a partir de 2029.
A ideia, disse, é reduzir alguns benefícios tributários que, segundo ele, não fazem mais sentido -ele deu como exemplo o Perse, o programa de incentivos ao setor de eventos- para recompor a receita.
“O esforço que foi feito de fazer um ajuste de 2 pontos percentuais tem que ser repetido no próximo mandato”, afirmou.
O próximo governo também foi citado quando ele falou sobre, eventualmente, revisar algumas regras de isenção de tributação para títulos de investimentos, como LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).
Quando Durigan ainda era secretário de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, houve uma tentativa para acabar com a isenção fiscal. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, isso vai voltar à pauta, segundo ele.
“Caso o governo Lula seja eleito, nós devemos voltar a esse tema, para ver qual distorção está sendo gerada com relação ao Tesouro e com relação a outros produtos do mercado.”



