SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma falha no fornecimento de energia elétrica e um incêndio em um trem paralisaram as linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, todas administradas pela concessionária Trivia Trens, na manhã desta quinta-feira (23), em São Paulo. A situação só foi completamente normalizada no início da tarde.
A falha em um trem por volta das 5h40, provocou uma “ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás”, segundo a empresa. A circulação foi interrompida e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações.
No início da madrugada, os usuários precisaram acender as lanternas dos celulares para iluminar o trajeto. Muitos precisaram pular muros que cercam as linhas e seguir andando por avenidas em longos percursos.
A empresa ainda não informou o que causou a falha, mas o Corpo de Bombeiros afirmou que às 5h38 houve incêndio em uma composição na altura do número 1.408 da rua Bresser, no Brás. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que usuários precisaram abrir as portas do trem para escapar das chamas.
Segundo a corporação, houve muita fumaça, mas sem registro de feridos.
A Trivia Trens diz lamentar “os transtornos causados aos passageiros e reforça que está mobilizando todos os recursos necessários para o restabelecimento da operação. A concessionária orienta os passageiros a acompanharem as atualizações sobre a circulação pelos canais oficiais.”
A concessionária afirma que o processo de normalização começou às 9h50. Às 11h, as linhas 11 e 13 já operavam em toda a extensão. Neste horário, a linha 12 funcionou parcialmente, entre as estações Tatuapé e Calmon Viana. A normalização da circulação de trens em todo o trecho se deu no início da tarde.
Em entrevista à TV Globo, Paulo Ferreira, diretor da Trivia Trens, afirmou que a falha será investigada.
“Todo esse evento vai ser investigado no detalhe para saber o que funcionou e o que não funcionou. O que não funcionou nós vamos ajustar daqui para a frente”, disse.
Ele afirmou que a orientação é para o passageiro permanecer dentro dos trens em caso de falha.
“Quando cai a energia, o ar-condicionado acaba desligando. Realmente é desconfortável ficar dentro do trem e a gente entende, sim, porque que essas pessoas descem. Não é a situação ideal, não é a situação segura. O correto seria ficar dentro do trem, mas a gente entende o lado do passageiro”, afirmou.
A orientação, segundo Ferreira, não se aplica ao caso da composição que pegou fogo.
“Com relação ao fogo, a orientação é sair. Nesse caso, tem que sair mesmo, não dá tempo de esperar. O protocolo é orientar as pessoas a sair com segurança usando as alavancas”, concluiu.
Segundo o diretor, por uma questão de segurança, após a falha elétrica, as subestações de energia de outras linhas foram automaticamente desligadas.
Funcionários que trabalhavam nas linhas 11 e 12 nesta manhã afirmaram à Folha de S.Paulo, sob condição de anonimato, que o fogo começou no pantógrafo equipamento que coleta a energia da linha e abastece os trens que fica sobre a composição. As chamas logo se espalharam pelo vagão.
A concessionária acionou 36 ônibus do sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), mas houve longas filas para embarcar nos coletivos no início da manhã.
A Trivia afirma ainda que solicitou ao Metrô a transferência gratuita de passageiros nas estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera. Com isso, a linha 3-vermelha apresentou lotação muito acima do previsto para o horário de pico, com estações lotadas e velocidade reduzida.
Policiais militares reforçaram o policiamento nas estações Tatuapé e Itaquera, após solicitação do Metrô. Os agentes também auxiliaram passageiros que tentavam deixar a área dos trilhos longe das estações.
A auxiliar de limpeza Gislaine Pereira, 34, por pouco não perdeu uma entrevista de emprego na avenida Paulista, região central.
“Cheguei uma hora e meia atrasada. Só não perdi a entrevista porque o pessoal da empresa viu na televisão o que aconteceu e entendeu a situação”, diz.
Moradora de Guaianazes, na zona leste, ela ficou parada dentro de um trem na linha 11 entre Itaquera e Tatuapé, enquanto outros passageiros caminhavam pela via.
“Depois de muito tempo o trem conseguiu chegar no Tatuapé e eu peguei o metrô. Mas foi terrível, um caos”, diz ela, na estação Itaquera, enquanto esperava o trem para voltar para casa depois da entrevista de emprego.
Por volta das 10h, usuários ainda tinham dificuldade de embarcar. Na estação Brás, muitos pediam ajuda a seguranças para saber como chegar ao destino.
“Disseram que não pode pegar o trem”, afirmou José Roberto Carvalho, 40, que se dirigia à plataforma da linha 3-vermelha para conseguir chegar ao destino, a Luz.
O vigilante Silvério Vicente da Silva, 61, saiu às 5h de casa, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, mas só conseguiu chegar à estação Itaquera por volta das 11h.
“Perdi a manhã toda pra chegar até aqui”, diz. “Não tinha trem na linha 12. Precisei pegar um ônibus até Poá, e lá outro ônibus até Itaquera”, conta.
Sua meta era chegar na estação Santana, da linha 1-azul, às 7h40 para o curso de reciclagem de vigilantes. O caminho natural, conta, era embarcar na linha 12 até Tatuapé, onde faria uma integração para o metrô.
A Trivia Trens assumiu a operação das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, que inclui o Expresso Aeroporto, do trem metropolitano de São Paulo, na madrugada de terça-feira (21).
Os ramais transportam cerca de 20 milhões de passageiros ao mês, segundo a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), responsável pelos trechos antes da concessão.
Essas vias interligam a região central à zona leste da capital e cidades como Suzano, Mogi das Cruzes e Guarulhos.
Durante um ano, a empresa irá operar os três ramais com a supervisão da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Ou seja, em julho de 2027, a concessionária assumirá integralmente os trabalhos.
A nova etapa começa 60 dias após a fase de transição, quando os funcionários da empresa passaram a ter contato direto com a operação de trens.
APÓS CAOS, GESTÃO TARCÍSIO QUER VOLTAR A OPERAR LINHAS
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) quer retomar o controle das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade. Caso o plano seja aprovado, elas vão ser operadas por 90 dias de maneira conjunta pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que é estatal) e pela concessionária Trivia Trens.
As três linhas enfrentaram problemas nesta quinta (23), que geraram um caos no transporte público da cidade de São Paulo. Isso fez a Artesp (a agência reguladora de transporte do estado) propor a medida de operação conjunta até que as causas das falhas seja esclarecida.
Para entrar em vigor, o plano ainda precisa ser aprovado pelo conselho diretor da Artesp, o que deve acontecer ainda nesta quinta. O plano do governo paulista foi foi divulgado pelo G1 e confirmado pela Folha de S.Paulo.
A Artesp apura as causas da falha que causaram a paralisação das linhas.
RODÍZIO É SUSPENSO EM TODA A CIDADE
A Prefeitura de São Paulo afirmou pela manhã que o rodízio de veículos estava suspenso apenas na zona leste. Após questionamentos, a CET informou, por volta das 13h, que o rodízio seria suspenso em toda a cidade e as multas por infringir a regra do período da manhã seriam anuladas.
O trânsito na zona leste, por volta de 9h20, registrava 143 km de lentidão, segundo o site da CET, sendo a região de São Paulo com trânsito mais intenso. Na avenida Salim Farah Maluf, a lentidão era de 4,2 km, na Celso Garcia eram 2,6 km. A avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello registrou teve 2,2 km, enquanto a José Pinheiro Borges teve 5,6 km. A avenida Itaquera teve 4,9 km de congestionamento.
Por volta das 14h30, a cidade registrava 343 km de lentidão, segundo a CET. A marginal Tietê era a via mais afetada, com 25 km de filas.
METRÔ COLOCA MAIS FUNCIONÁRIOS E TRENS EM OPERAÇÃO
O Metrô adotou estratégias operacionais diferentes para dar mais fluidez aos tráfego dos passageiros e atender ao aumento da demanda. Desde as 6h, foram abertas as transferências nas estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, para melhorar o fluxo.
Na linha 3-vermelha, a frota foi reforçada com a inclusão de dois trens extras. Também estão sendo realizadas manobras intermediárias nas estações Tatuapé e Penha, ampliando a oferta de viagens nos trechos com maior concentração de passageiros.



