PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – A Alphabet, dona do Google, e a Tesla, as primeiras gigantes de tecnologia americanas a divulgar seus resultados do segundo trimestre, sofreram fortes perdas na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (23).
As duas empresas marcaram as maiores quedas diárias em mais de um ano. A Alphabet encerrou o dia com queda de 7,13%, a maior desde maio de 2025, e a Tesla com desvalorização de 14,53%, a maior desde março de 2025.
O índice Nasdaq, focado em tecnologia, sentiu o impacto das quedas e acompanhou o movimento, caindo 2,15% no dia.
A queda das ações arrastou o setor de serviços de comunicação para baixo. O setor de consumo discricionário foi outro grande perdedor, com peso significativo da Tesla. O indicador de medo de Wall Street, o Índice de Volatilidade, atingiu seu nível mais alto em quase um mês durante o pregão.
A derrocada responde aos resultados do segundo trimestre deste ano divulgados na véspera. No caso da dona do Google, os números vieram fortes: houve aumento de receita e lucro. Porém, também houve uma queima de quase US$ 6 bilhões em caixa, a primeira em décadas, que levou a um fluxo de caixa livre negativo em US$ 5,9 bilhões (R$ 29,8 bi).
A empresa também aumentou pela segunda vez neste ano a previsão de gastos anual, que agora deve ficar entre US$ 195 bilhões (R$ 986,2 bi) e US$ 205 bilhões (R$ 1 tri). Os investimentos colossais das big techs em infraestrutura de inteligência artificial tem sido uma das principais preocupações dos investidores.
“Os números no agregado são ótimos, mas muitas empresas tiveram algum fator que fez as ações caírem”, disse Matt Miskin, co-estrategista-chefe de investimentos da Manulife John Hancock Investments, apontando para preocupações com gastos de capital como um exemplo. “Qualquer brecha na armadura e as ações estão sendo vendidas.”
No caso da Tesla, o trimestre encerrado em junho uniu a primeira queima de caixa em dois anos e uma queda forte de lucro. O lucro líquido ajustado despencou 17% em relação ao ano anterior, para US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bi) nos três meses até junho, muito abaixo das expectativas de Wall Street de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bi).
A queda surpresa nos lucros ocorreu apesar da entrega recorde de 480.126 veículos no trimestre. Os resultados destacaram como a Tesla usou descontos agressivos para reconquistar compradores após sofrer uma grande queda nas vendas no ano passado, quando o papel de destaque de Elon Musk nos cortes de gastos do governo americano na administração de Donald Trump afastou consumidores.



