SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou hoje, em Brasília, o relatório final sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em agosto de 2024.
Investigadores apresentaram as conclusões em reunião reservada aos familiares das vítimas. Depois, ao fim da tarde, Paulo Mendes Fróes, tenente-coronel Aviador da Força Aérea Brasileira; Alexandre Avellar Leal, chefe do Cenipa e brigadeiro e Raphael Vargas Vilar, atual Chefe da Divisão de Investigação e Prevenção (DIP) e coronel aviador apresentaram as conclusões à imprensa.
As autoridades do Cenipa relataram que o avião teve um problema no sistema de dispersão de gelo, chamado airframe icing. Foi apontado que pode não ter acontecido o checklist necessário antes do voo que provocou a tragédia.
Trabalho incluiu perícias e reconstrução do voo, com análise de dados e de condições do dia do acidente. Entre as frentes citadas estão a leitura das caixas-pretas, exames em motores e sistemas de degelo e de proteção contra estol, avaliação do clima e entrevistas com pessoas ligadas ao voo.
Investigação técnica do Cenipa não tem foco em apontar culpados. O órgão afirma que o relatório não define responsabilidades civis ou criminais.
Em paralelo ao relatório do Cenipa, a Polícia Federal apura se houve crime e quem pode ser responsabilizado. O inquérito está em fase final e pode usar as conclusões técnicas como base para eventuais indiciamentos, com envio posterior ao Ministério Público Federal (MPF).
No fim de junho, familiares tiveram acesso à transcrição das conversas na cabine do avião. O material integra laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) que embasa o inquérito e era aguardado por poder esclarecer os momentos finais do voo, incluindo a hipótese sobre o uso do sistema de degelo.
Famílias também planejam uma ação coletiva por danos morais após a conclusão do inquérito. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui processos individuais já em andamento e busca responsabilização civil de empresas e pessoas que possam ter contribuído para a tragédia.
O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo 2283 entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu em 9 de agosto de 2024. A aeronave atingiu o quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP), e as 62 pessoas a bordo -58 passageiros e quatro tripulantes- morreram.
Nenhum morador do imóvel atingido ficou ferido. O caso foi o acidente mais grave da aviação comercial brasileira desde a tragédia com o voo 3054 da TAM, em 2007.



