SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A onda de incêndios florestais na Europa forçou milhares de pessoas a deixarem casas e acampamentos. Somente na França são ao menos 10 mil pessoas deslocadas. A Espanha contabiliza outras 3.500 mil, e a Itália, cem.
O calor extremo e a seca cada vez mais severa vêm alimentando o fogo em partes do continente, e cientistas alertam que a mudança climática está agravando a escassez de água no continente.
No sudoeste do território francês, pelo menos 10 mil pessoas foram retiradas de casas e acampamentos durante a madrugada desta quinta-feira (23).
Os bombeiros combatem dois grandes incêndios na região. Um deles, em Le Porge, perto da cidade de Bordeaux, já havia se espalhado por 3.400 hectares até esta quinta, segundo a última estimativa dos bombeiros.
“A polícia bateu em todas as portas. O fogo estava a 500 metros de distância”, disse à AFP Patrick Martineau, 69, morador de Le Porge. “Estamos com medo e é difícil de entender. É surreal. Quando compramos aqui, há seis anos, não pensamos no risco de incêndio.”
De acordo com diversas fontes consultadas pela AFP, o incêndio provavelmente começou durante trabalhos de limpeza de vegetação em uma estrada florestal.
O outro incêndio, que começou na terça (21) em um campo e se espalha pelo departamento de Var (sul francês), devastou 2.500 hectares e mais de 300 pessoas foram retiradas da região.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, afirmou que mais de 12,5 mil incêndios foram registrados desde o início do ano e 44 mil hectares, queimados.
Na França, os incêndios florestais nunca consumiram tanta superfície nesta época do ano. Espanha e Itália também enfrentam um de seus piores anos.
AÇÃO PREVENTIVA NA ESPANHA
A Espanha decidiu retirar, preventivamente, os 3.500 habitantes de Aldea del Fresno, a oeste de Madri.
Esse povoado fica muito perto de outros povoados menores cujos moradores foram desalojados na noite desta quarta-feira (22). Nesta quinta, com a melhora da situação, a maioria deles pôde voltar para casa.
Nos últimos dias, foram declarados vários incêndios no país. O mais preocupante se encontra do outro lado de Madri, na província de Guadalajara, a cerca de 100 km ao norte da capital. Ali, o fogo devastou 32 mil hectares desde o último dia 16.
A operadora de infraestrutura ferroviária da Espanha, ADIF, afirmou que o serviço de trens entre Mejorada del Campo e Alcalá de Henares, perto de Madri, foi suspenso devido a um incêndio próximo aos trilhos. A interrupção afetou os serviços na linha de alta velocidade que liga Madri a Barcelona, um dos corredores de transporte mais movimentados do país.
No total, cerca de 125 mil hectares queimaram desde 1º de janeiro na Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.
REMOÇÃO DE PACIENTES NA ITÁLIA
Na Itália, dezenas de incêndios florestais e de vegetação devastam a Sicília, de acordo com o ministro do Interior, Matteo Piantedosi.
Bombeiros disseram nesta quarta que tiveram de deslocar cem moradores da região e 22 pacientes de uma clínica no centro da ilha, onde as temperaturas ultrapassaram os 40°C nos últimos dias.
Um porta-voz da Agência de Proteção Civil da Itália disse à AFP que os incêndios estão sendo alimentados por temperaturas muito altas e um solo muito seco.
Mais de 160 incêndios também foram relatados nas últimas 24 horas na Calábria, região vizinha.
SECA ESGOTANDO A ÁGUA
Vários países europeus estão sofrendo com a seca neste verão.
A França teme ter sua menor safra de milho em 50 anos, a Romênia restringiu o acesso dos agricultores à água para irrigação, enquanto a Holanda declarou escassez hídrica. Proibições do uso de mangueiras foram estabelecidas em Londres e sete ilhas gregas declararam emergência para preservar a água.
Em um relatório divulgado também nesta quinta-feira, cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão alterando a forma como as secas se formam na Europa. A análise, feita pelo grupo World Weather Attribution de cientistas climáticos, disse que o calor extremo acelera a evaporação de água do solo.
Os desafios estão levando soluções criativas localmente. Na região da Galícia, no noroeste da Espanha, comunidades reintroduziram gado nativo para reequilibrar ecossistemas e reduzir incêndios florestais em uma área que foi o epicentro do pior ano de incêndios do país em 2025.
Uma espécie específica de gado, a ágil Cachena, conhecida localmente como “vaca-cabra”, está sendo usada para pastar e eliminar a vegetação rasteira que age como um barril de pólvora para incêndios.



