SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dia 24 de julho é o Dia Internacional do BDSM, sigla que remete a bondage -imobilização do parceiro, normalmente com cordas, algemas ou fita adesiva-, dominação, submissão e sadomasoquismo -um balaio de diferentes fetiches.
A escolha da data não foi aleatória: 24×7 é uma das fantasias mais incensadas desse universo, por prever que um dos parceiros se submeta a outro em tempo e de modo integral, ou seja, 24 horas por dia, sete dias por semana.
O estudo mais amplo realizado sobre o tema, conduzido pelo psicólogo Justin Lehmiller, pesquisador do Kinsey Institute, nos Estados Unidos, identificou algum tipo de fantasia ou fetiche em 97% de 4.000 entrevistados.
É consenso científico que fetiche não é doença -não em si mesmo. A atualização da OMS (Organização Mundial da Saúde) da CID (Classificação Internacional de Doenças) deixou claro que o fetiche só deve ser considerado transtorno parafílico, ou seja, enfermidade, quando causa sofrimento significativo ou prejuízo funcional ao cidadão ou se não envolver consentimento.
O BDSM se rege ainda por uma cláusula pétrea, que é o SSC –são, seguro e consensual. Isso significa garantir que não se quebre ou estrague o brinquedo (no caso, o parceiro), que se tomem todas as medidas possíveis de segurança para cada prática e, principalmente, que tudo seja conversado e combinado.
Em São Paulo, as casas mais famosas do meio se preparam para comemorar os 24 de julho. Veja, abaixo, a programação.
DOMINATRIX AUGUSTA
A casa de BDSM mais antiga de São Paulo opera há dez anos no Baixo Augusta. Com portas abertas para a rua, uma placa informa orgulhosamente ao desavisado que ali está “a melhor casa fetichista” da cidade. Curiosamente, é das poucas iniciativas do meio cujos donos nunca haviam estado ligados ao BDSM antes de caírem de boca no empreendimento.
“Tínhamos uma cafeteria e queríamos abrir algo para a noite”, conta a sexóloga Fernanda Benine, uma das sócias. “Aí um cliente que curtia BDSM sugeriu que abríssemos um sex shop sobre o tema, que na época sequer sabíamos do que se tratava. Pesquisamos e vimos que não havia uma casa fixa dedicada ao assunto, só festas avulsas, e resolvemos, em vez de mais um sex shop, abrir o Dominatrix”, acrescenta.
Superado o estranhamento dos iniciados com a ousadia daqueles “baunilhas” (nome de quem não é do meio BDSM), a casa foi se firmando por oferecer um espaço onde “você pode viver o fetiche, não só ver o fetiche”.
Com uma média de idade acima de 30 anos, o perfil do público da casa, segundo Benine, “é principalmente hétero-bissexual, mas aberto a todos, sem preconceito”. E, para celebrar o 24/7, a casa prepara sua já tradicional festa Met Gala, evento que reunirá pole dance, dança e cenas diversas.
MET GALA
Quando Sáb. (25), das 21h às 4h
Onde Dominatrix Augusta – r. Fernando Albuquerque, 298, Consolação
Preço R$ 50 entrada ou R$ 100 consumação
LOVENOX
Quem passa de dia em frente ao casarão antigo da rua Conde de Sarzedas, no Glicério, zona central de São Paulo, vai encontrar um fervilhante centro comercial de objetos religiosos. À noite, porém, a casa aberta há quatro anos pelos sócios Mayanna Rodrigues e Marcelo D’Ávilla recebe um público predominantemente pertencente à geração Z, amante de games, defensor de relações não monogâmicas e das bandeiras da não-binariedade.
Para entrar, é preciso comprar ingresso antecipado, já que o espaço oferece apenas 50 tíquetes a cada sessão. A casa é alternativa, com atividades culturais ligadas ao meio fetichista, como exposições de fotos, pinturas, performances e debates, além de oferecer uma vasta biblioteca sobre fetiche e sexualidade, que pode ser consultada livremente.
DIA INTERNACIONAL DO BDSM
Quando Nesta sex. (24), das 22h às 5h
Onde Lovenox – r. Conde de Sarzedas, 136, Sé
Preço R$ 40
LOVE CABARET
Instalado no imóvel que já abrigou a histórica Love Story, a “casa de todas as casas”, o Love Cabaret foi idealizado pelo investidor argentino Facundo Guerra, criador de outros endereços icônicas e de perfis totalmente variados como Riviera, Blue Note e Bar dos Arcos.
Das casas que abrigam o mundo BDSM e fetichista, essa é a mais performática e seu público, o mais leigo. A mestre de cerimônias, Indra Haretrava, é o elo de ligação dos números apresentados, que seguem uma rigorosa curadoria que empresta plumas, pole e lap dance e muito glamour a práticas que, sem essa produção, poderiam assustar os menos acostumados ao meio fetichista.
“A gente aqui tenta brincar com as emoções”, diz Haretrava. “Tudo começa, por exemplo, com um burlesco glamoroso e vai evoluindo para uma coisa mais densa, até chegar no final, que seria esse momento onde é proibido até filmar e fotografar, onde entra a nudez total e aí atravessamos os limites.”
Na edição especial para o Dia Internacional do BDSM, Haretrava conta que a casa preparou uma edição especial da festa Exxxtase, que permite ousadias maiores, proíbe fotos e ainda oferece um cardápio de atividades no chamado playground, onde o cliente pode experimentar várias práticas.
FESTA EXXXTASE
Quando Nesta quinta (23), das 21h à 1h
Onde Love Story – r. Araújo, 232, República
Preço R$ 96 a R$ 169
SODOMA LOUNGE
A casa mais nova da capital paulista, criada por um casal de submissos, Jefferson e Rodrigo Mourão Vaz, tem uma proposta diferente das demais: no espaço do primeiro andar, que abriga o bar e restaurante, a luz é forte o bastante para permitir enxergar o cardápio, e as paredes, decoradas com uma mistura que vai de fotos dos homens eleitos Mr. Fetiche nos últimos anos, com suas roupas de couro e carões, a bucólicas xícaras e bules de chá da bisavó de Rodrigo.
“A gente queria dar esse ar de casa de vó ali no salão”, diz Rodrigo. “Fazer uma coisa acolhedora, porque, normalmente, quando a gente vai nos rolês fetichistas, ou é balada, uma festona, ou é um lugar muito predatório de luz quase nenhuma, focado só em interação sexual.”
Da ideia inicial, que era montar um café fetichista, a proposta evoluiu para uma casa que Jefferson descreve como “gay friendly, mas onde todas as pessoas fetichistas se sentissem à vontade”. Mas o cardápio oferece opções para café da manhã para quem vira a noitada. “Sentíamos falta disso quando íamos nas festas e baladas”, afirma.
Além do espaço fofinho, de uma masmorra, a infalível “dark room” tradicional para pegação e de um bom capuccino, a casa tem ainda mais um diferencial, que é abrir aos domingos, uma espécie de matinê que promove, por exemplo, na próxima edição, uma roda de conversa sobre relacionamentos com dominação e submissão.
DIA INTERNACIONAL DO BDSM
Quando Nesta sex. (24), das 21h às 4h
Onde Sodoma Lounge – r. Francisca Miquelina, 66, Bela Vista
Preço R$ 40 a R$ 80



