SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A EPR arrematou o trecho de 383 km da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) que liga Curitiba a São Paulo. A empresa ofereceu desconto de 22,53% sobre a tarifa de pedágio, em leilão realizado nesta quinta-feira (23) na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

A proposta ultrapassou a oferta das duas outras concorrentes. A Motiva (ex-CCR) propôs deságio de 12,1% sobre o pedágio, e a Arteris, atual administradora da estrada, ofereceu desconto de 0,01%.

Como a diferença de propostas entre o primeiro e o segundo colocado ficou acima de 20%, o certame não foi a viva-voz —etapa em que as proponentes vão aumentando os lances até que se chegue a um vencedor.

A concessão conecta Curitiba à região metropolitana de São Paulo, em um trecho que corta 16 municípios e é rota essencial para o transporte de cargas e para o escoamento da produção agrícola e industrial das regiões Sul e Sudeste, incluindo grãos, produtos manufaturados e cargas gerais.

Com mais de 383 km de extensão, o projeto tem Capex (investimentos em obras) de R$ 7,07 bilhões e Opex (custos de operação) de R$ 4,06 bilhões.

A concessão faz parte dos contratos estressados, projetos antigos que fracassaram e tiveram de passar por repactuação.

Atualmente, a Régis Bittencourt é administrada pela Arteris, com um contrato firmado em fevereiro de 2008. A concessão teria, a princípio, uma duração de 25 anos. A estrada enfrenta problemas, principalmente em período chuvoso, devido à falta de investimentos.

De acordo com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a concessionária Autopista Régis Bittencourt, da Arteris, enfrentou desafios relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato, em razão de questões como degradação acentuada do pavimento, elevados índices de acidentes e interrupções constantes do tráfego.

A concessionária pediu a remodelagem do contrato junto ao Ministério dos Transportes. O pedido foi aprovado em maio de 2024, por meio de uma portaria.

Posteriormente, a diretoria da ANTT deu aval ao pedido. A agência definiu que eram necessários ajustes no cronograma de investimentos e na readequação de metas contratuais.

O processo foi enviado à análise do TCU (Tribunal de Contas da União), que emitiu parecer favorável à remodelagem da concessão.

O modelo de “leilão simplificado” (otimização) adotado pela gestão Lula prevê a oferta ao mercado de um contrato de concessão previamente acertado com uma companhia –neste caso, a Arteris. No entanto, se outra proponente oferecer um desconto maior sobre a tarifa, ou seja, uma proposta melhor, esse contrato pode trocar de dono.

Segundo a Arteris, o tráfego médio diário na rodovia supera os 29 mil veículos e é composto por uma movimentação expressiva de ônibus e caminhões, que representam cerca de 80% do volume total da estrada.

Desde dezembro de 2017, a Régis Bittencourt é uma rodovia em pista dupla, com o término da duplicação da Serra do Cafezal na região de Miracatu (SP).

Em São Paulo, a rodovia corta municípios como Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Registro, Pariquera-Açu e Barra do Turvo, passando por toda a região do Vale do Ribeira. No Paraná, a BR-116 atravessa Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Colombo, Pinhais e Curitiba.