SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar sobe nesta quinta-feira (23), com os investidores acompanhando os desdobramentos da escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio.

A guerra mantém a aversão ao risco elevada e sustenta os preços do petróleo em patamares elevados. O agravamento do conflito aumenta a cautela dos investidores e diminui a busca por moedas de mercados emergentes.

Por volta das 12h40, a moeda norte-americana subia 0,64%, aos R$ 5,085. No mesmo horário, a Bolsa brasileira recuava 0,51%, a 176.632 pontos.

Nesta quinta, o barril do Brent, referência mundial do petróleo, volta a avançar com mais intensidade. Na máxima do dia, chegou a US$ 101,20 —alta de 7,57%. É o maior valor desde 20 de maio, quando a cotação alcançou US$ 102,24.

A alta dos preços reflete uma nova rodada de ações militares dos Estados Unidos contra o Irã na noite de quarta-feira. A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, informou que um petroleiro pegou fogo após uma explosão ao tentar atravessar uma rota minada ao sul do estreito de Hormuz.

Os houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, também atacaram embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.

“[Os preços do petróleo] voltam a se aproximar de níveis que podem pressionar a inflação. Isso preocupa principalmente do ponto de vista do crescimento econômico e leva os investidores a adotar posições mais cautelosas”, afirma Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

A alta do petróleo impulsiona as ações das petroleiras brasileiras. Por volta das 12h50, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras subiam 1,29% e 1,69%, respectivamente.

Os papéis da Prio e da PetroReconcavo avançavam 2,15% e 0,46%, também impulsionados pelo cenário externo.

“O principal movimento nesta manhã é uma forte entrada de fluxo em ações ligadas a commodities. Com o petróleo alcançando os US$ 100 por barril, as petrolíferas avançam, principalmente Petrobras e Prio, que têm peso relevante no índice”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

O bloco de bancos, contudo, pressionava o índice. O BTG liderava as perdas do setor, com recuo de 1,50%.

A valorização do petróleo reforça os temores de aceleração da inflação. Com dificuldades para o escoamento da commodity, os preços dos derivados refinados —como gasolina, diesel e querosene de aviação— tendem a subir.

Por enquanto, o governo brasileiro tem subsidiado os combustíveis para evitar que o repasse chegue aos consumidores.

O cenário repercute também no mercado de juros futuros. Às 12h50, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,36%, alta de 14 pontos-base em relação ao ajuste de 14,218% da sessão anterior.

Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,85%, elevação de 11 pontos-base ante o ajuste de 14,739%.

A maior aversão ao risco fortalece o dólar tanto no Brasil quanto no exterior. Por volta das 12h50, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,34%, aos 101,47 pontos.

O dólar é a principal moeda de reserva global. Já os Treasuries, títulos da dívida pública americana, são considerados um dos ativos mais seguros do mundo, o que costuma atrair investidores em momentos de maior incerteza.

No exterior, os resultados do segundo trimestre da Alphabet e da Tesla também pressionavam os mercados.

Os lucros da empresa de Elon Musk caíram 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões) nos três meses encerrados em junho, bem abaixo da expectativa de Wall Street, de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões).

A Alphabet, por sua vez, queimou caixa no segundo trimestre pela primeira vez em décadas. A empresa informou que o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões (R$ 29,8 bilhões), após ampliar pela segunda vez neste ano seus investimentos em data centers e outros equipamentos voltados para inteligência artificial.

Por volta das 12h50, a Nasdaq caía 2,51%, o S&P 500 recuava 1,23% e o Dow Jones perdia 1,06%.