SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O conselho de administração da Vale afirmou na quarta-feira (22) em fato relevante que aprovou a destituição de Marcelo Gasparino do órgão deliberativo. Ele é vice-presidente do colegiado há seis anos.
Conforme a mineradora, Gasparino teria vazado informações confidenciais de uma reunião que aconteceu em 19 de junho. A empresa informou que uma investigação foi conduzida por um escritório externo, que confirmou o vazamento.
A saída do órgão deliberativo, contudo, ainda depende de uma assembleia-geral extraordinária com os acionistas, que não tem data marcada.
A reportagem entrou em contato com Marcelo Gasparino, que por sua vez respondeu que não iria comentar o caso.
A proposta de destituição foi aprovada no mesmo dia em que os acionistas da empresa escolheram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, como novo presidente do conselho da companhia. Ollie era o nome apoiado pela Previ e substituiu Daniel Stieler.
Gasparino concorreu pelo cargo e foi derrotado. Ele recebeu votos favoráveis de cerca de detentores de ações equivalentes a cerca de um quarto do capital da companhia.
A Vale diz que a decisão “foi tomada com base nos fatos e conclusões da apuração conduzida por escritório externo independente, contratado por deliberação do Conselho de Administração, que confirmou o referido vazamento, que constitui desvio de conduta”.
“O conselho acompanhou recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (Care) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade”, continua o comunicado divulgado pela mineradora.
O conselho aprovou ainda o afastamento de Gasparino de dois comitês de assessoramento da empresa: o Comitê de Indicação e Governança e o Comitê de Pessoas e Remuneração.
Na reunião do conselho citada pela Vale, Gasparino criticou o pedido da Previ para destituir Daniel Stieler. Chamou a ofensiva da fundação sobre o então presidente do conselho de “aventura societária” e questionou a candidatura de Ollie.
Em sua manifestação pública de voto, disse ver com perplexidade que um conselheiro independente da companhia pudesse, “na calada da noite”, aceitar participar de um processo para destituir o presidente do colegiado.
Ele também falou sobre suspeitas de gravações clandestinas das reuniões do conselho. “Reputo abominável a hipótese das reuniões do CA [conselho de administração] terem sido gravadas de forma clandestina, o que merece apuração e a devida reprimenda”, disse.
Procurada pela reportagem, a Vale não quis detalhar os motivos para o processo de destituição.
Gasparino acumula cargos em outras empresas no setor de energia e mineração, sendo conselheiro de administração independente da Petrobras e membro do Comitê de Auditoria estatutário da estatal. Também compõe o Comitê de Auditoria do Banco do Brasil como membro independente, além de ser Conselheiro de Administração e Presidente do Comitê de Sustentabilidade da Axia Energia, ex-Eletrobras.
Como apurou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, há acusações de que o governo tentou interferir no resultado da eleição para o conselho. A maior mineradora do mundo tem enfrentado atritos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou emplacar o ex-ministro Guido Mantega como presidente da multinacional no passado.



