SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As duas câmeras com inteligência artificial instaladas nos km 17 e 18 da rodovia Raposo Tavares, em trecho na cidade de São Paulo, entram em operação no próximo dia 3 de agosto e motoristas flagrados usando celular enquanto dirigem serão multadados, assim como condutores e passageiros sem cinto de segurança.
Por lei, essas câmeras não multam diretamente. Quando detectam uma possível infração, a imagem é enviada à Polícia Militar Rodoviária, que acessa a foto em alguma base da instituição ou em local exclusivo no centro de controle de operações da concessionária responsável pela estrada. Se houver confirmação da irregularidade, a infração é emitida.
Instalados em março, os equipamentos já passaram pelos períodos de testes, mas ainda faltava o ajuste do policiamento rodoviário para o início da operação.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, recentemente, em um dos testes, as duas câmeras flagraram cerca de mil casos de falta de cinto de segurança e uso de celular ao volante em apenas 72 horas.
Nos flagrantes na Raposo Tavares, 40% foram por falta de cinto de segurança entre passageiros, 30% pelo motorista e outros 30% de condutores que usavam o celular enquanto dirigiam.
As câmeras captam imagens com alta qualidade, inclusive à noite e de veículos em alta velocidade.
A concessionária Ecovias Raposo Tavares planeja instalar mais duas câmeras semelhantes na rodovia e na Castelo Branco, também em trecho da cidade de São Paulo. A data ainda não foi informada.
Segundo o CBT (Código Brasileiro de Trânsito), não usar cinto de segurança inclusive passageiros é considerado infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos no prontuário da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Dirigir segurando ou manuseando celular é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH.
Câmeras com inteligência artificial para fiscalização de trânsito se multiplicam pelas estradas paulistas. Há equipamentos que flagram falta de cinto de segurança e uso de celular espalhados por estradas do interior, principalmente, das regiões de Campinas e Ribeirão Preto.
E agora chegam à região metropolitana de São Paulo. No último dia 1º, começaram a operar no trecho do sul e leste do Rodoanel.
Conforme a concessionária SPMar, em 28 dias de monitoramento no período de testes, entre 12 de maio e 9 de junho, 4.879 veículos foram flagrados com essas infrações de trânsito, o que representa uma média diária de mais de 168 casos.
Do total de flagrantes, 2.420 eram condutores sem cinto, 1.440 passageiros estavam sem o dispositivo de segurança afivelado e 1.019 motoristas usavam celular. Essas pessoas não foram multadas, pois o radar ainda não estava em operação.
Câmeras com inteligência artificial e capazes de fazer reconhecimento facial começarão a ser instaladas no Rodoanel Mário Covas. Parte do anel viário que contorna a região metropolitana de São Paulo, interligando as principais rodovias do país, também será murada.
A ideia, segundo a Artesp (Agência de Transportes de São Paulo) é monitorar em tempo real os 174 km do Rodoanel, que carrega histórico de assaltos a motoristas e roubos de carga.
A previsão é concluir a primeira parte dos projetos executivos em dezembro de 2026, com início das obras em janeiro do próximo ano.
Nos contratos recentes de concessão para dez empresas, afirma a agência reguladora, há previsão para a utilização de tecnologias inteligentes de monitoramento, incluindo câmeras e softwares que podem flagrar, inclusive, outros tipos de infração, como caminhão à esquerda ou veículo trafegando pelo acostamento.



