SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (23), com os investidores acompanhando os desdobramentos da escalada do conflito no Oriente Médio, que mantém a aversão ao risco e sustenta os preços do petróleo em níveis elevados.

Por volta das 9h30, a moeda norte-americana subia 0,46%, aos R$ 5,076. Na sessão anterior (22), o dólar fechou em queda, cotado a R$ 5,052, enquanto o Ibovespa avançou 2,43%, aos 177.547 pontos.

Na sessão anterior, o barril do Brent, referência mundial do petróleo, chegou a US$ 95,47, embora tenha encerrado o dia próximo de US$ 93. Por volta das 9h30, a commodity avançava ainda mais, a US$ 99,71 —alta de 5,94%.

Os EUA lançaram uma nova rodada de ações militares contra o Irã na noite de quarta-feira, a 12ª consecutiva de ataques norte-americanos ao país do Oriente Médio. A Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro pegou fogo após explosão ao tentar atravessar uma rota minada ao sul do estreito de Hormuz.

Os investidores também acompanham o início da temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos, com destaque para os resultados da Alphabet, controladora do Google, e da Tesla, divulgados na quarta-feira (22).

O mercado ainda monitora os efeitos da entrada em vigor das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que passaram a valer na véspera.

Entre os destaques da última sessão da Bolsa está a Weg, fabricante de motores elétricos e equipamentos de automação. A companhia saltou quase 10%, a R$ 46,60, após divulgar os resultados do segundo trimestre.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no período, queda de 2,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Apesar do recuo na comparação anual, o resultado superou as expectativas do mercado. Analistas consultados pela LSEG (London Stock Exchange Group) projetavam lucro líquido de R$ 1,52 bilhão e Ebitda de R$ 2,12 bilhões. A companhia, porém, reportou Ebitda de R$ 2,21 bilhões.

Segundo a Weg, o desempenho foi impactado principalmente pela valorização do real e menor demanda por projetos de geração de energia renovável no Brasil.

Vale e Petrobras, empresas de maior peso no Ibovespa, também encerraram o dia em alta. A mineradora foi beneficiada pela divulgação do relatório de produção, que mostrou crescimento de 20,9% na produção de minério de ferro em relação aos três primeiros meses do ano.

Além disso, os acionistas da companhia elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do conselho de administração em assembleia extraordinária. A mudança ocorre após a Previ solicitar, em junho, a destituição de Daniel Stieler, que ocupava o cargo até o início do mês.

Já as ações da Petrobras acompanharam a valorização do petróleo, impulsionada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. O avanço da commodity ocorre após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar os ataques ao Irã na região de Kolang Gazla, onde haveria uma instalação nuclear fortemente protegida.

“Vamos atacar essa área muito em breve, e com muita força”, afirmou. A promessa da ação militar ocorre em um momento de crescente ansiedade entre os operadores de petróleo. Isso porque o trânsito de petróleo pelo estreito de Hormuz diminuiu drasticamente nos últimos dias e os estoques globais caíram para níveis criticamente baixos.

No Brasil, os investidores continuam acompanhando os efeitos do início da cobrança pelos EUA da tarifa de 25% sobre um conjunto de produtos brasileiros, que pode impactar o fluxo de dólares para o Brasil.

A decisão do governo Trump afeta cerca de 3 mil itens e foi tomada a partir de uma investigação da Seção 301, feita pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que examina práticas comerciais consideradas injustas.

A investigação concluiu que práticas brasileiras restringem os negócios de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos.

Exportadores temem que o aumento das tarifas aprofunde a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 12,8% no primeiro semestre, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), fechando em US$ 36,4 bilhões (R$ 184,8 bilhões), com saldo favorável aos Estados Unidos em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões).