SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo voltou a disparar mais de 6% nesta quinta-feira (23) e ultrapassar a casa dos US$ 100 após quase dois meses, com o acirramento do conflito entre EUA e Irã, e a entrada dos houthis, grupo do Iêmen aliado dos iranianos, no conflito que aumentou o estrangulamento no escoamento da produção de petróleo no Oriente Médio.
O barril Brent, referência mundial, atingiu US$ 100,23 (R$ 508,76) por volta das 10h15 (horário de Brasília), alta de 6,61%, maior valor desde 26 de maio, quando a cotação alcançou US$ 100,73 e foi a última vez em que esteve em três dígitos.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também refletiu a alta e subia 4,84%, cotado a US$ 91,06 (R$ 462,12).
A disparada é resultado dos ataques de houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita através do Mar Vermelho. Nesta quinta, mais dois navios foram atacados na rota que vinha sendo usada como alternativa ao estreito de Hormuz, que continua bloqueado para tráfego marítimo.
Autoridades de transporte sauditas confirmaram o ataque a um dos navios. O outro ataque foi reinvidicado pelos houthis em comunicado enviado à emissora de televisão Al-Masirah, mas não houve confirmação saudita.
As embarcações estariam trafegando pelo Mar Vermelho para usar o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Aden e ao Oceano Índico. Essa é uma rota alternativa que era usada para escoamento dos produtos da Arábia Saudita para outros destinos da Ásia. Os houthis já havia ameaçado no começo da semana que iriam atacar quem cruzasse o Mar Vermelho.
Os sauditas têm utilizado um oleoduto leste-oeste até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, de onde exporta cerca de 4,9 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis refinados por dia, segundo dados da empresa de dados energéticos Kpler.
Vários navios-tanque que transportavam petróleo bruto saudita pelo Mar Vermelho deram meia-volta esta semana, após as ameaças dos houthis. A situação agrava o escoamento da produção de petróleo, que já sofre com a paralisação no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, e que voltou a ser bloqueado pelo Irã há duas semanas, quando foram retomados os ataques entre EUA e Irã.
Os bombardeios entre os dois países continuaram nesta quinta, com os norte-americanos efetuando uma série de ataques ao território iraniano, enquanto o regime do Irã diz ter atacado bases militares e instalações dos EUA na Jordânia e no Kuwait.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse em um encontro diplomático no Sudeste Asiático que o preço que o Irã paga “ficará mais alto a cada noite” até que Teerã esteja pronta para um acordo de paz que realmente cumpra.
“O Irã está implorando (por um acordo) todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fazem um acordo… ou o quebram ou querem alterá-lo”, disse ele. “Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, à medida que continuam sofrendo grandes perdas”.
O porta-voz militar iraniano, o brigadeiro-general Mohammad Akraminia, disse que o Irã continuará retaliando enquanto os EUA continuarem a atacar sua infraestrutura e áreas costeiras, informou a TV estatal iraniana.



