SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, condicionou o apoio de sua sigla à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) a uma aliança nos estados de Mato Grosso e Roraima, governados por sua sigla, mas que caminham para a disputa contra adversários do PL.

Flávio corre risco de ficar isolado, competindo sem alianças, o que pode fazer com que tenha menos tempo de TV do que Lula (PT).

Pereira vem dizendo a interlocutores que a tendência de seu partido é manter a neutralidade. Na semana passada, em um giro com parlamentares e dirigentes do partido em São Paulo, apresentou uma pesquisa interna que mostraria crescimento do petista e possibilidade de derrota do filho de Jair Bolsonaro. Ele pretende ter diálogo semelhante com líderes das siglas de outros estados nos próximos dias.

Contudo, seu partido tem oito pré-candidatos a governos estaduais, e Pereira vem trabalhando para priorizar essas eleições.

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) é tido como favorito na reeleição. Em Minas, o partido espera lançar o senador Cleitinho, que também aparece bem colocado em pesquisas de opinião, mas que ainda não acertou sua candidatura.

Nesta quarta, em entrevista ao jornal Z Norte, de Sorocaba, interior do estado, Pereira deu detalhes sobre a negociação em curso para o apoio ao PL, citando cenários dos estados.

“O PL não tem cedido os apoiamentos aos governadores que temos pedido”, disse. “Eu coloquei na mesa seis [estados]”.

“Todas as pesquisas que a gente olha mostram que a gente tem chance de eleger em seis estados. Em São Paulo, o Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio. Ele [Flávio] precisa mais do Tarcísio do que o Tarcísio dele. Em Minas, precisa mais do Cleitinho do que o Cleitinho dele”, afirmou.

“Agora, tem outros estados que, se a gente fizesse uma aliança, como o Mato Grosso e Roraima, estados em que o governador já é do Republicanos […] Se eles do PL nos apoiassem nesses dois estados, a gente decidiria a eleição no primeiro turno”, afirmou.

Pereira teve uma reunião com o senador Rogério Marinho (PL-RN) na semana passada e deve ter outra na semana que vem para buscar um acordo. Ele disse que espera chegar a uma definição até 1º de agosto, data da convenção estadual do Republicanos em São Paulo, para a qual Flávio foi convidado.

O partido tem convenção nacional, que definirá pela neutralidade ou pelo apoio a Flávio, no dia 4 — penúltimo dia para a realização do evento. O apoio a Lula está descartado.

A reportagem tentou contato com Marinho para tratar do assunto, sem sucesso.

Além do tempo de TV no caso da aliança, outra importância do Republicanos para Flávio vem do fato de que a economista Daniella Marques, colaboradora de sua campanha que trabalha pela indicação ao cargo de vice, é filiada ao partido.