Da Redação

O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a realização de uma reunião com mais de 40 embaixadores estrangeiros, na qual o parlamentar voltou a levantar questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas. A manifestação foi feita por meio das redes sociais na terça-feira (22).

Na publicação, Caiado afirmou que o encontro representou uma oportunidade desperdiçada para discutir temas de interesse econômico e comercial do Brasil. Em tom de ironia, o governador escreveu que a presença de dezenas de representantes diplomáticos poderia ter sido utilizada para ampliar mercados para produtos brasileiros, atrair investimentos e fortalecer a indústria nacional.

“42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica”, escreveu o governador.

As críticas ocorreram após Flávio Bolsonaro apresentar aos diplomatas argumentos em defesa de uma maior fiscalização internacional das eleições brasileiras. Durante o encontro, o senador afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem das desenvolvidas pela empresa venezuelana Smartmatic, além de citar um suposto relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre as eleições da Venezuela.

A informação, entretanto, já foi contestada por especialistas e por órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral. A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras, e o sistema de votação adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui tecnologia própria e independente.

Durante o discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretendia desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, mas defendeu que observadores internacionais acompanhem o processo eleitoral de 2026. Segundo ele, a presença de especialistas estrangeiros poderia contribuir para ampliar a transparência das eleições.

“O pedido que faço é que todos os países possam mandar a maior quantidade possível de observadores e pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia para que o Brasil possa realizar eleições cada vez mais seguras e transparentes”, declarou o senador.

A iniciativa reacendeu comparações com um episódio envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, em julho de 2022, reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para apresentar alegações sem provas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral considerou que aquela reunião configurou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, decisão que resultou na inelegibilidade do ex-presidente por oito anos.

O posicionamento de Caiado evidencia o distanciamento entre o governador goiano e o grupo político liderado pela família Bolsonaro. Embora ambos integrem o campo da direita e disputem o eleitorado conservador, o governador tem adotado um discurso voltado para temas ligados ao desenvolvimento econômico e à segurança pública, enquanto busca consolidar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.