SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil teve 40.775 mortes violentas intencionais registradas em 2025, uma queda de 8,2% em relação anterior, mostram dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta quinta-feira (23). A taxa de assassinatos ficou abaixo dos 20 mortos por 100 mil habitantes pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012, alcançando o índice de 19,1.
Foram 3.445 mortes a menos do que em 2024. Com isso, o país chegou ao menor patamar da estatística pelo quarto ano consecutivo. O resultado segue a tendência de diminuição dos assassinatos no país, que se mantém desde 2018.
As mortes violentas intencionais categoria criada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para refletir a violência do país de forma mais precisa reúne as estatísticas de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes violentas de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais.
Todas essas categorias tiveram redução no número de vítimas, exceto as mortes causadas pelas forças de segurança. A letalidade policial, na direção contrária da tendência, teve aumento de 5,4% no ano passado e foi responsável por 6.602 mortos. Esse foi o número mais alto de mortes registrado desde que o Fórum passou a acompanhar a estatística.
No período de 14 anos analisados nas estatísticas do Anuário e também na comparação de 2024 e 2025, todas as regiões do país tiveram reduções em suas taxas de assassinatos por 100 mil habitantes. O país como um todo teve queda de 31% no índice desde 2012.
O Amazonas, que viveu um aumento da violência desde o fim da década passada, teve queda de 32% nas mortes violentas intencionais entre os anos de 2024 e 2025 a mais expressiva entre as unidades da federação.
Por outro lado, sete das 27 unidades da federação tiveram aumento na violência em 2025 Rio Grande do Norte (aumento de 19,6% nas mortes), Rondônia (7.5%), Acre (6,3%), Distrito Federal e Roraima (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
“Os estados que não tiveram redução, na verdade, são estados em que se gente verifica um conflito maior dentro das dinâmicas criminais organizadas”, diz o sociólogo David Marques, gerente de programas do Fórum.
Ele diz que o aumento na violência no Rio Grande do Norte, que destoa do restante do país, ocorreu como consequência de disputas territoriais entre facções criminosas, especialmente devido à “ascendência que o Comando Vermelho tem buscado exercer, ampliar seu domínio territorial nos estados do Norte e do Nordeste”.
O Amapá foi a unidade da federação mais violenta do país pelo quarto ano seguido, com 42,5 mortes a cada 100 mil habitantes, mesmo reduzindo esse índice. Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal foram os únicos estados com taxa abaixo de 10 mortes a cada 100 mil pessoas.
Ao longo de 14 anos, quase 738 mil pessoas foram assassinadas no país. É como se uma população maior do que aquela do município de Ribeirão Preto, o 7º mais populoso do estado de São Paulo, fosse morta de 2012 a 2025.
Das dez cidades mais violentas em 2025, quatro estão na Bahia e três no Ceará. Maranguape (CE), na região metropolitana de Fortaleza, foi a cidade com maior número de mortes violentas intencionais do Brasil pelo segundo ano consecutivo. Ali, bairros são divididos entre o domínio do CV e da facção local Guardiões do Estado.
No ano passado, reportagem da Folha mostrou, que moradores são monitorados quando entram e saem das comunidades e chefes do tráfico decidem quem pode morar em determinado local e quem deve ser expulso.
Pichações nos muros da cidade trazem orientações a visitantes, que devem retirar capacetes e baixar os vidros dos carros ao passar em determinadas vias.
REGIÕES
O Nordeste teve redução de 35,5% da taxa desde 2017 ápice de mortes violentas, com média de 49 assassinatos a cada 100 mil habitantes na região, mas continua com o índice mais alto do país em 2025 (31,6). É a única região com mais de 30 vítimas para cada 100 mil pessoas.
No Centro-Oeste houve queda de 50% na taxa ao longo do período de 14 anos, a maior redução de violência em todo o país.
O Sul tornou-se a região com a menor taxa de assassinatos com 11,9 mortes por 100 mil habitantes, ficando em situação melhor que a região Sudeste (que teve taxa de 12,6).
“Apesar da queda consistente de quase todas as Mortes Violentas Intencionais, permanecem em crescimento duas modalidades particularmente preocupantes: os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial”, diz o texto de apresentação do Anuário.
Segundo a análise, os dados mostram “que a redução geral da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos sociais e não muda opções político-institucionais sobre padrões de uso letal da força”.
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axa de mortes violentas intencionais
Nº de vítimas por 100 mil habitantes, por ano
2012 – 27,70
2013 – 28
2014 – 29,70
2015 – 28,90
2016 – 30,20
2017 – 31,20
2018 – 27,90
2019 – 23
2020 – 24,1
2021 – 23
2022 – 22,70
2023 – 21,90
2024 – 20,8
2025 – 19,1
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública



