SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os registros de crime de racismo cresceram 13% no Brasil de 2024 a 2025, enquanto os de injúria racial aumentaram 9,2% no mesmo período, segundo o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). Os dados são baseados em boletins de ocorrência da polícia.

Em números absolutos, foram registrados 30.743 casos de racismo e 21.443 de injúria racial no ano passado. Em 2024, eram 27.082 e 19.200, respectivamente.

A legislação define como injúria racial quando a agressão é direcionada a um único indivíduo, enquanto o racismo ocorre quando a ofensa é dirigida a uma coletividade. Até 2023, a punição para a injúria era mais branda que a do racismo, com pena de um a três anos e multa. Mas uma lei equiparou os dois crimes, passando a pena para dois a cinco anos de prisão.

Para os pesquisadores, a alta reflete mais do que um aumento das ocorrências. Também indicaria que o sistema de Justiça tem deixado de tratar a injúria racial como um delito de menor gravidade e passado a enquadrá-la na mesma lógica jurídica do racismo, aproximando a resposta penal de uma proteção coletiva, e não apenas individual.

Isso, porém, varia de estado para estado.

No Pará (95,6%) e no Distrito Federal (95,5%), quase todos os casos são classificados como injúria racial. Já no Ceará (17,8%) e no Rio Grande do Sul (4,9%), essa proporção é significativamente menor.

Nesta edição, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, perguntou pela primeira vez às secretarias estaduais com base em qual dispositivo legal a injúria racial é registrada e se esses casos são incorporados ao total de racismo. As respostas revelaram critérios distintos.

Parte dessa diferença decorre da forma como os estados registram os dados. Segundo nota técnica do anuário, Distrito Federal, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina não incluem os casos de injúria racial no total de racismo em seus sistemas, o que dificulta a comparação entre as unidades da federação.

Espírito Santo e Rio de Janeiro, por sua vez, nem sequer informam a injúria racial separadamente, divulgando apenas o total de ocorrências de racismo.

Nas taxas por 100 mil habitantes, o Distrito Federal (28,9), Santa Catarina (27,1) e Mato Grosso (20,6) lideraram os registros de injúria racial em 2025, bem acima da média nacional, de 11,2.

No racismo, Santa Catarina teve a maior taxa do país (32,8), seguida por Rio Grande do Sul (26,1) e Distrito Federal (25,5).

Em números absolutos, porém, São Paulo concentrou o maior volume de ocorrências, com 9.925 registros de racismo e 7.868 de injúria racial, resultado influenciado pelo tamanho da população. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (3.016), Santa Catarina (2.683), Paraná (2.588) e Minas Gerais (2.366).

A evolução também variou entre os estados. Os maiores aumentos nos registros de racismo ocorreram no Amazonas (36%), Sergipe (27,6%), Rondônia (23,5%) e São Paulo (22,6%). O Maranhão foi a única unidade da Federação a apresentar queda expressiva, com redução de 25,9% nos casos registrados de racismo e de 39,5% nos de injúria racial.

O levantamento também aponta avanço na cobertura das estatísticas. O número de estados que informam ocorrências de racismo passou de 18, em 2018, para 26 em 2025. No caso da injúria racial, a cobertura subiu de 21 para 25 unidades. Ainda assim, nenhum dos dois crimes é informado por todos os estados.

Os pesquisadores afirmam que o aumento contínuo dos registros não deve ser interpretado apenas como um crescimento da violência. Para eles, o avanço também pode refletir maior disposição das vítimas em denunciar e reconhecer a agressão como crime.

O anuário ressalta, porém, que esse movimento não tem sido acompanhado por uma redução das práticas discriminatórias no cotidiano.

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Taxa de registros de racismo por 100 mil habitantes, em 2025

Santa Catarina – 32,8

Distrito Federal – 30,3

Rio Grande do Sul – 26,9

Mato Grosso – 23,3

Paraná – 21,8

São Paulo – 21,5

Amapá – 19,1

Taxa de injúria racial por 100 mil habitantes, em 2025

Distrito Federal – 28,9

Santa Catarina – 27,1

Mato Grosso – 20,6

Paraná – 19,3

São Paulo – 17,1

Piauí – 12,4

Sergipe – 12,1

Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública