RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Uma em cada cinco mortes violentas intencionais no estado do Rio de Janeiro em 2025 ocorreu por intervenção policial. O dado é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em anuário divulgado nesta quinta-feira (23).
O levantamento mostra que o Rio teve 3.890 mortes violentas intencionais em 2025, e 798 destas mortes (20,5% do total) foram em decorrência de intervenção policial, seja com o agente dentro ou fora de serviço.
A categoria de mortes violentas intencionais abarca homicídios dolosos (quando há intenção), feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e as mortes por ação de policiais.
Em números absolutos, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, sendo 6.602 delas, ou 16,1%, por ação de policiais. O Anuário de Segurança Pública usa dados de secretarias de segurança dos estados.
A taxa de mortes por intervenção policial no Rio foi de 4,6 para cada 100 mil habitantes, patamar acima da média nacional (3,1). O estado fluminense é o sexto da lista. O Amapá lidera o ranking, com 17,1 mortes por intervenção policial para cada 100 mil habitantes.
A taxa dessas mortes subiu 13,5% no Rio em 2025, na comparação com 2024.
A taxa de mortes violentas intencionais no Brasil alcançou o menor patamar desde 2012, segundo o Fórum: houve 19,1 casos por 100 mil habitantes em 2025, a primeira vez abaixo de 20.
O Rio, com as 3.890 mortes violentas intencionais de 2025, ficou no seu segundo patamar mais baixo da série histórica, iniciada em 2012. O ano de 2024 segue sendo o mais baixo do estado (3.809) nesta série, e 2017 o ano mais alto (6.749).
Na régua da taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, o Rio, com 22,6, esteve acima da média nacional, mas apresentou taxa menor do que outros estados como Amapá (42,6 por 100 mil habitantes), Pernambuco (33 por 100 mil habitantes) e Bahia (36,8 por 100 mil).
O Anuário de Segurança Pública lembra que o Brasil antecipou em dois anos o cumprimento da meta de homicídios dolosos imposta na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social de 2021. O objetivo era chegar a 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Mas pondera que isso precisa ser relativizado, uma vez que as mortes decorrentes de intervenção policial apresentaram crescimento de 5,4% em relação a 2024.
“O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, diz o texto do anuário.
“O desafio atual deixou de ser apenas operacional e passou a envolver mecanismos de controle institucional, transparência, responsabilização e prevenção da captura das instituições públicas pelo crime organizado”, afirma o estudo.
No caso da operação Contenção, as gravações de câmeras corporais dos policiais seguem em análise pela Promotoria do Rio de Janeiro e pela Polícia Federal, esta a pedido do STF (Supremo Tribunal Federal).
O gráfico de casos diários de mortes por ação de policiais tem um pico nos dias 28 e 29 de outubro, data da operação e do dia seguinte a ela, quando corpos foram retirados da mata, aumentando a contagem. Os casos diários nacionais, que variavam entre 3 e 46 até ali, subiram para 75 e 80 nos dois dias.
Em abril, a Folha de S.Paulo mostrou que a principal dificuldade no avanço das investigações continua sendo a vinculação dos mortos aos policiais. Os registros de ocorrência não especificam quais agentes são os responsáveis pelos confrontos.
Outro recorte com crescimento no Rio de Janeiro foi o de número de policiais vítimas de mortes não naturais e violentas. Foram 28 em 2024 e 51 em 2025, um aumento de 82,1%. A estatística envolve policiais civis e militares mortos em confronto, ou por lesão não natural, dentro ou fora de serviço.
CRIMES PATRIMONIAIS EM ALTA
Outro índice investigado pelo Anuário, o roubo e furto de celulares apresentou alta de 22,7% de 2024 para 2025 no Rio de Janeiro. A Paraíba foi o outro estado onde houve aumento nessa modalidade de crime (21,1%). Todas as outras 25 unidades federativas tiveram tendência de queda.
Em outro crime contra o patrimônio, o Rio teve a maior taxa de roubo de carga do país, com 18,1 para cada 100 mil habitantes, muito maior do que a média nacional, de 3,7.
Já no crime de roubo e furto de veículos, o Rio de Janeiro apresentou queda de 14,6% no ano passado, em comparação com o anterior. Apesar disso, foi o estado com a maior taxa, com 516,8 veículos roubados ou furtados para cada 100 mil veículos. Pernambuco (476,5 para cada 100 mil veículos) e Paraíba [349,1] completam o ranking dos três estados com mais registros.
Em relação aos feminicídios, o Rio teve taxa de 1,2 caso para cada 100 mil mulheres em 2025, estatística que o coloca entre os estados com menor registro deste tipo de crime. O Acre lidera, com taxa de 3,2 para cada 100 mil, seguido por Rondônia, com 2,9.
No caso de estelionatos, incluindo aqueles por meio eletrônico, o Rio de Janeiro é o 12º estado com a maior taxa de registros. São 853,4 casos para cada 100 mil habitantes.



