PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) – Ao menos 26 brasileiros foram presos neste mês em Vientiane, no Laos, durante uma operação da polícia local contra complexos de golpes online.
A ONG The Exodus Road Brasil trata os casos como tráfico humano e está em contato com familiares de parte das vítimas. À reportagem, o Itamaraty não respondeu se os brasileiros são vítimas do crime, e afirma que também está em contato com parentes dos presos.
A operação ocorreu no último dia 11, quando a polícia de Vientiane mirou sete casas alugadas pela empresa Camce Investment. Na ação, foram presos 122 suspeitos de envolvimento nos crimes.
Todos os brasileiros teriam sido encontrados no mesmo imóvel, sendo oito mulheres. Segundo o jornal local Laotian Times, chineses, malaios, birmaneses, uruguaios e paquistaneses também estão entre os presos.
O Itamaraty declara que Embaixada do Brasil em Bancoc, na Tailândia, responsável também pelo atendimento consular do Laos, está acompanhando os casos.
“O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional”, disse, em nota.
A batida faz parte de uma ofensiva mais ampla. Segundo o relatório apresentado pelo primeiro-ministro Sonexay Siphandone à Assembleia Nacional no início do mês, as autoridades do país desarticularam 44 operações de fraude eletrônica no primeiro semestre e detiveram 4.482 pessoas de 25 nacionalidades, entre elas 1.032 mulheres.
O Laos integra o chamado Triângulo Dourado, região onde se encontram as fronteiras do país com Mianmar e a Tailândia, historicamente associada ao tráfico de drogas e hoje também ao tráfico de pessoas, além dos complexos de golpes online.
Vítimas de diversas nacionalidades são atraídas para empresas da região com a promessa de altos salários e ao chegar ao local, têm o passaporte retido e são obrigadas a aplicar golpes eletrônicos. Além do trabalho forçado, há casos de privação de liberdade, tortura e abuso sexual.
O Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2025 não identificou brasileiros no Laos, mas o próprio documento afirma que a sobnotificação é um dos desafios.
Organizações que acompanham o tema também declaram que esses números costumam ficar abaixo da realidade, tanto nos registros oficiais quanto nos levantamentos das próprias entidades. Isso acontece porque, em muitos casos, as autoridades só tomam conhecimento do crime quando a vítima consegue, por conta própria, pedir socorro.
Segundo o relatório, o Camboja, país vizinho, foi o principal destino das vítimas brasileiras no ano, com 44 das 84 registradas.
Produzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o documento aponta ainda que a exploração sexual passou a ser a finalidade mais frequente nos inquéritos instaurados pela Polícia Federal, à frente do trabalho forçado.
Foi diante desse cenário que o Brasil abriu, em agosto de 2025, uma embaixada em Phnom Penh, capital do Camboja. Até então, as ocorrências no país eram acompanhadas pela representação diplomática em Bancoc.



