CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Os fortes vendavais e as chuvas volumosas que atingem o Rio Grande do Sul já causaram problemas em ao menos 169 cidades, de acordo com boletim da Defesa Civil estadual divulgado por volta das 20h desta quarta-feira (22).
Há danos como destelhamento, queda de árvores e de postes de energia, além de alagamentos. Nesta quarta, as regiões norte e central do estado, são as mais afetadas. Isso inclui vale do Taquari, atingido por enchentes em 2023 e 2024.
Mais de 1.000 pessoas precisaram deixar suas casas em todo o estado. São 728 pessoas acolhidas em abrigos públicos e 371 desalojadas, ou seja, que foram para casa de amigos ou parentes.
O maior número de desalojados está no município de Lajeado, onde 373 foram para abrigos públicos.
Os vendavais começaram na sexta-feira (17) e ganharam intensidade no final de semana. As chuvas ganharam corpo nesta terça-feira (21).
Desde a madrugada desta quarta, a Defesa Civil alerta em suas redes sociais para “risco muito alto” de inundações dos rios Caí e Taquari, afetando a população que vive nos municípios de Montenegro, Harmonia, Muçum, Taquari, Encantado, Arroio do Meio, Lajeado, Santa Tereza, Roca Sales, Cruzeiro do Sul e Estrela.
Ao longo do dia, a cota de inundação foi atingida na maioria das cidades da lista e a água do rio avançou para áreas com moradias.
Em Lajeado, por volta das 11h30, o nível do rio Taquari já tinha ultrapassado os 22 metros, marca acima da cota de inundação (19 m).
Às 16h, o nível estava em 23,7 m. A Defesa Civil atua para retirar os moradores das áreas de risco.
O governo estadual disse que moradores de 37 municípios receberam mensagens de celular sobre a possibilidade de inundação.
“A medida busca garantir que a população receba a informação de forma rápida e possa adotar imediatamente as orientações das autoridades. Os planos de contingência municipais estão sendo acionados em conjunto com a Defesa Civil estadual e com as nossas forças de segurança”, escreveu o governador Eduardo Leite (PSD), em redes sociais.
“As equipes já trabalham de forma integrada, e os municípios sabem exatamente quais procedimentos devem ser adotados, incluindo a retirada preventiva de comunidades em áreas de risco para preservar vidas”, continuou ele.
Segundo a Defesa Civil, em cidades como Paraí, Marau e André da Rocha, o volume de chuva chegou a quase 200 mm em apenas 24 horas.
No município de Ciríano, um idoso dentro de um carro quase submerso foi resgatado pela janela por um homem que se equilibrava apoiado em uma retroescavadeira, na tarde desta terça.
As imagens do resgate circularam nas redes sociais e chamaram a atenção. Elas foram feitas por Jonathan Robson Passari, que conduzia a retroescavadeira. O primo dele, Edegar Passari, é quem se equilibra na máquina para puxar o idoso, que está bem.
Edegar é dono da Cerâmica Passari, que vende tijolos para a região e fica próxima do local onde o idoso tentava passar de carro.
Segundo o governo estadual, 18 trechos de estradas do estado estão parcialmente ou totalmente bloqueados.
De acordo com a Defesa Civil, a chuva no Rio Grande do Sul perde força nesta quinta-feira (23).
“Para as próximas 24 horas, não estão previstas precipitações com volumes significativos no estado. Devido às chuvas recentes, ainda devem ser observados níveis elevados em arroios e pequenos rios. Já os rios maiores também devem seguir em níveis elevados, mantendo o limiar de inundação nas bacias do Taquari-Antas e Caí”, diz comunicado do órgão.
Municípios do estado vizinho, Santa Catarina, também registram problemas associados às chuvas intensas. Desde a noite de terça até a tarde desta quarta, 24 municípios registraram acumulados de chuva superiores a 100 milímetros.
Segundo a Defesa Civil catarinense, as chuvas provocaram alagamentos, interdições de vias, destelhamentos e retirada preventiva de moradores em municípios do Oeste, Vale do Itajaí, Planalto Sul e Litoral Sul catarinense. Mas não há registro de desabrigados.
No estado do Paraná, dez municípios registraram algum tipo de dano relacionado às chuvas, principalmente alagamentos, segundo a Defesa Civil estadual.



